28.12.09

Metades

...
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
...
(Metade - Osvaldo Montenegro)


Tudo depende de mim, das minhas escolhas, essa é uma das únicas certezas que tenho. Se algo não saiu conforme planejado, ainda me resta a possibilidade de escolher qual vai ser a minha atitude diante dos planos frustrados. Entender e colocar isso em prática é difícil e só se consegue com o amadurecimento. Crescer é preciso e, infelizmente, esse crescimento está atrelado às dificuldades já vividas.

É preciso entender que somos feitos de várias metades e que nada na vida nos é dado por inteiro pois, se assim fosse, certamente nem sempre se abririam novas possibilidades. Ser inteiro, completo, implicaria ser único e talvez imutável. Mas somos feitos de metades em busca de algo que nos faça sentir inteiros.

Somos metade paixão e metade desdém. A transitoriedade da vida está intimamente ligada à metade dominante no momento de fazer uma escolha.

Somos metade razão e metade sentimento. Somos seres humanos, incompletos, passíveis de erros e merecedores do perdão. Somos pequenas unidades de carbono com incalculável número de átomos em turbilhão.

Somos metade fantasia e metade realidade. Sonhamos com o passado, com o presente e com o futuro. Nos enganamos e enganamos os outros. Fazemos da vida pequenos lagos de flores. Tentamos mostrar aos outros nossa alegria e escondemos nossas mazelas.

Somos metade felicidade e metade sofrimento, não importa qual das duas metades se sobreponha em determinado momento, essas metades se alternam quando a gente menos espera.

Somos metade sensatez e metade loucura, metade liberdade e metade censura, nem água, nem vinho.

Somos a eterna disputa entre o bem e o mal.

26.12.09

Só por hoje.



Gosto de viver assim, feito um alcoolatra em tratamento, um dia de cada vez. Nada de viver cada dia como se fosse o último, nada de viver intensamente o que deve ser vivido com tranquilidade. Mas de uma coisa eu não abro mão: da verdade! Prefiro ser verdadeira à ser intensa...

E que o pensar me faça sentir, não o contrário...

Não porque é fim de ano, mas hoje foi dia de decisões. Decidi pensar menos e sentir mais. Decidi ouvir mais meus sentimentos e pensar menos em suas consequências. Hoje decidi que três grandes amores vão embora da minha vida, dois deles por decisão exclusivamente minha.

Decidi que não posso mais ser egoísta e que deixar a vida seguir seu curso nem sempre faz sentido, certas decisões precisam ser tomadas. Optei pela eutanásia de duas grandes amigas, minhas duas ratas, companheiras de todos os momentos vividos por mim nos últimos quatro anos. Optei por matar à mingua um sentimento, não sem antes expor o que eu sinto, esgotar as palavras sufocadas.

A força demonstrada por elas diante de um câncer físico talvez tenha sido maior que a minha diante do meu câncer emocional, mas como eu decidi remover o meu, decidi libertá-las dos delas também, nada mais justo, visto que elas são parte do mesmo tipo de sentimento: amor!

Por ser amor as duas decisões são igualmente difíceis de aceitar, mas foram tomadas no momento em que deixei o meu coração me guiar. Hoje, tenho certeza de que este é o melhor caminho.

E com o tempo as feridas vão fechar. O lugar da espaçosa gaiola vai ser lembrado com carinho, para sempre. O espaço do meu coração que era de outrem, vai ser só meu.



Eu nunca vou me esquecer de vocês!


Update: Foram levadas ao veterinário para a eutanásia mas, no fim, apenas uma se foi, a outra passa bem!

25.12.09

Resoluções para 2010!


Eu nunca fiz uma lista de resoluções para o ano novo, então, talvez esta seja a primeira resolução: fazer uma lista para me cobrar lembrar depois.

1. Estudar mais. Esta é uma promessa que eu faço todo início de ano desde que iniciei a minha vida escolar e nunca consegui cumprir, afinal, sempre acontecia alguma coisa mais importante para comprometer os meus estudos. Mas este ano tem monografia pra fazer e um exame da OAB pela frente, melhor eu cumprir a promessa!

2. Não me meter em roubadas sentimentais. Isso é difícil porque, nesse campo, a gente nunca sabe muito bem onde pisa e eu não sou adepta do "melhor nem tentar". Enfim, só espero um pouco mais de sorte da próxima vez.

3. Sair mais. Ainda que eu não goste muito, vou me esforçar, até porque, ficar enfiada dentro de casa nunca rendeu grandes diversões a ninguém.

4. Viajar mais. Adoro, mas poucas foram as oportunidades nos últimos anos. Que 2010 seja de viagens incríveis e inesquecíveis.

5. Passar mais tempo com as pessoas que eu amo. Isso inclui viagens para visitar amigos que moram longe e que a presença e amizade fazem milagres na minha vida.

6. Deixar o passado para trás. É óbvio que os problemas deste ano me acompanharão o ano que vem, não tenho a pretensão de que tudo seja realmente lindo e novo na mudança do calendário, mas no que depender de mim, o velho fica para trás e dá espaço para o novo entrar.

7. Fazer trabalho voluntário. Ainda não sei como nem onde, mas tenho certeza que a oportunidade vai aparecer.

Bom, a lista é essa, é curta (talvez haja alguns "updates" pelo caminho), mas se eu conseguir cumprir isso, 2010 valerá a pena...  

24.12.09

Ah, o Natal...


Depois de vários anos passando o natal na casa da família do ex-namorado, este ano eu tinha planejado um natal diferente. Planejei me vestir com um pijama muuuuito velho, daquele tipo que até freis franciscanos ficariam com dó e comentariam: "Filha, quando falamos em voto de pobreza, não é bem isso"... Enfim, no super-pijama eu iria para cama munida de pipoca, refrigerante e dvd´s e nem veria o Papai-Noel passar. O natal dos sonhos pra mim! Maaasss, como já era de se esperar, os meus planos foram por água abaixo quando descobri que teríamos convidados para a ceia em casa.

Cabe lembrar que a minha família nunca foi de fazer festas de natal, essa coisa de dar presente e esperar até meia-noite pra jantar nunca fez parte das nossas tradições familiares (aliás, acho que nem temos tradição nenhuma). Mas este ano nós temos convidados, hunf! Os convidados são ótimos, pessoas que eu realmente gosto, o que não gosto é de natal...

Minha amiga me chamou para almoçar com ela e, num primeiro momento, declinei. Mas depois pensei: se eu não vou ter o natal dos sonhos ela também não vai! Enfim, negociei o almoço em troca da ajuda dela na arte de pintar meu cabelo. Feito! (Quando eu digo "ajuda", na verdade quis dizer que ela ia pintar e eu ia ajudar ficando com a cabeça parada.)

Almoçamos e fomos para minha casa. A sugestão da minha cunhada foi colocar uma água oxigenada volume 30 no lugar da que vinha na caixinha da tintura, que é 20, apenas para "clarear um pouquinho" (porque eu queria passar de preto para castanho, mas nem milagre arranca tintura preta de um cabelo). Resultado: raiz quase loira e pontas, que não quiseram se meter na lambança, continuaram pretas. Ou seja, ficou horroroso. Corri na farmácia pra pegar um tonalizante escuro pra passar na raiz e só conseguia pensar: "Bia, como você é teimosa, depois de tantos anos e tantas besteiras feitas e você ainda cai nessa de pintar cabelo em casa??? Custava ter ido no Dani (o cabelereiro)???" Bom, passei a droga do tonalizante e tudo ficou bem... assim, mais ou menos... melhor do que estava, pelo menos!

O que me consola é que 2009 está acabando, falta só um tiquinho. E nesse "tiquinho" tem uma viagem para a praia no reveillon... Vai render!

E logo eu posto as minhas resoluções de ano-novo (e uma delas, com certeza, é procurar um profissional ao invés de querer mudar o visual em casa). Meu pai pretende fazer as resoluções de ano novo baseado no que ele NÃO vai fazer em 2010, acho que vou seguir a mesma linha.

20.12.09

Aquela noite dele...


Foi naquela noite fria de verão que a minha vida mudou, num lugar pouco comum para nós dois, numa condição pouco comum para qualquer um. Aqueles olhos perdidos encontraram os meus, perdidos, imersos em sonhos que ninguém nunca saberia, apenas ela.

A diferença entre nós dois tornou tudo mais fácil. Eu estava resistente, mas cheio de amor. Ela, feliz, sorria fingindo esconder os seus medos. Eu, meio de lado, deslocado, quase me escondia. Ela conversava com todos, dançava e ria. Ela tinha samba no pé, eu sempre fui rock n´roll. Eu segurava uma garrafa de água, sem gás e sem gelo. Ela bebia caipirinha, cerveja e tequila.

Fechei os olhos e pensei por um momento. Nada ao meu favor. Eu estava sozinho, ela, eu não sei, mas não parecia se importar. Conversava e envolvia o ambiente como se o mundo fosse dela, andava entre as pessoas como se todos fossem dela. E eu a olhava, imaginava, como se eu fosse dela.

E os olhos dela se cruzaram novamente com os meus (que já eram dela também), ela me sorriu e eu a chamei para dançar (bobagem, eu nem sei dançar). Ela aceitou, eu estremeci.

Alguns minutos daquela dança e eu percebi: aquele sorriso não era meu, nem era dela. Ela não era dona de si mesma, seu coração estava em outro lugar... Talvez perdido por alguém que não a conhecia, não como eu, sangrando por alguém que não era seu.

E como eu me acostumei a não lutar, nem o nome dela eu perguntei...

11.12.09

Dr. Fernandinho Beira-Mar? Será?

Olha só que lindo! Fernandinho Beira-Mar vai prestar o ENEM em 2010.

Depois de receber a notícia e achar que era uma pegadinha, confirmei na internet e fiquei pensando se depois ele pretende prestar vestibular. Fiquei pensando também na carreia pretendida pelo "artista", já que ainda não temos curso superior para traficante.

Administração seria chover no molhado, já que ele é um administrador nato, como comprova sua história, visto que o sistema de narcotráfico montado por ele já é até objeto de estudo acadêmico.

Aaahhh! Mas ele pode prestar vestibular para Direito. Advogado já não tem credibilidade nenhuma mesmo... Se bem que, se tratando de Brasil, não vou ficar espantada se, daqui alguns anos, ele se tornar um delegado da polícia federal, promotor, juiz ou (por que não?) ministro do STF.

Nada mais me surpreende!

6.12.09

Sem título para o momento.

"Agora preciso de tua mão,
não para que eu não tenha medo,
mas para que tu não tenhas medo.
Sei que acreditar em tudo isso será,
no começo, a tua grande solidão.
Mas chegará o instante em que me darás a mão,
não mais por solidão, mas como eu agora:
Por amor."
(Clarice Lispector)
 
   
Eu queria ter vivido tudo aquilo de forma mais intensa, mas o medo de um passado que não existia mais me aprisionou. Hoje tenho a sensação de que tudo aconteceu pela metade, eu fui metade, não me dei chance de ser inteira. Você, eu não sei...

Pensei conhecer um pouco de mim, um pouco de você. Te contei a minha história. Exagerei. Era uma espécie de prova, sua chance de fugir... Mas você não fugiu, não naquele momento. Apostou. Eu dobrei a aposta. Você, eu não sei...

No momento errado tudo mudou e eu me senti completa. Me despi de meus medos e inseguranças, ainda que alguma coisa dentro de mim pedisse para eu ter cuidado. Não ouvi. Queria ser inteira, arriscar, fazer valer a pena. Você, eu não sei...

Te contei meus medos mais bobos, da boca de lobo, do lago, da ponte próxima ao barco. Te contei meus medos da vida, do futuro (,) da gente. Te contei quase tudo que podia. Você, eu não sei...

Mas os medos precisam ser superados. Não tenho mais medo do lago, nem da ponte próxima ao barco (das bocas de lobo, talvez!). Não tenho mais medo da vida, do futuro (da gente, sim!). Não tenho mais medo de ser inteira ou ser metade de uma outra metade. Você, eu não sei...

E um dia, perto do lago, na ponte, aquela próxima ao barco, eu estarei. Você, eu não sei...

Eu sabia!

Eu sabia que o fato de ter traído a Saraiva ia me dar problemas. Sabia que ia sofrer retaliação por parte da livraria. Ela é adepta do ditado "a vingança é um prato que se come frio".

Uma amiga minha ficou sabendo que fui na Saraiva na semana passada e brigou comigo por não tê-la convidado porque, segundo ela, eu tinha obrigação de saber que ela queria ir. Segundo ela, ainda, em algum momento, dentre as milhares de coisas que ela me fala todos os dias, tinha expressado o interesse de ir procurar o presente de amigo-secreto lá.

Que fique claro duas coisas: 1) eu não tenho bola de cristal; 2) ela realmente anda com um problema de achar que falou algo que não falou.

Mas eu resolvi voltar na Saraiva esse fim de semana, apenas para levá-la comprar o presente. Na verdade, queria também sondar como andava o humor da livraria comigo. Se eu chegasse e eles fechassem as portas, seria hora de desencanar e partir pra outra.

Um pouco abalada com uma notícia que minha amiga tinha me dado ao longo do caminho (e ela não tem noção que uma pessoa dirigindo em alta velocidade não pode ser surpreendida com uma notícia a queima roupa!), chegamos em Campinas.

Shopping lotado, mesmo público burguês de sempre, nos dirigimos à Saraiva.




Em menos de 5 minutos lá dentro eu vejo uma prateleira com pelo menos QUATRO obras do GABRIEL GARCIA MARQUEZ. Eu tenho certeza que, ao me ver entrando no Shopping alguém foi lá e montou a prateleira, só pra me sacanear. Fiquei p... da vida, mas resolvi não dar atenção.

Achar um atendente desocupado lá dentro é uma loteria, mas depois de alguns minutos conseguimos um que não nos ajudou em nada. Ótimo!

Procurei um livro que meu pai tinha me pedido e não tinha. Eu ainda acho que tinha e alguém escondeu e alterou o sistema de busca fazendo constar: "Disponível somente para encomenda".

Minha amiga finalmente decidiu o que o amigo-secreto dela vai ganhar e fomos para o caixa. Qual não foi a minha surpresa ao dar de cara com uma pirâmide construída com centenas de exemplares do livro "O amor em tempos de cólera", justamente o que eu comprei a semana passada na Livraria Cultura. Mas não para por aí, o livro estava, simplesmente, pela METADE do preço que eu paguei. Tive vontade de derrubar a pirâmide mas me contive, não iria demonstrar meu abalo, jamais!

Já no caixa, emprestei meu cartão fidelidade para minha amiga obter o desconto na compra dela e descubro que tenho um bônus/desconto de 15 reais. Sendo assim, "O amor em tempos de cólera" sairia pouco mais de 10 reais pra mim... Mas eu não iria aproveitar a pechincha, afinal, já tenho o livro, que me custou 52 reais na Cultura.

E a Saraiva está rindo até agora.

5.12.09

Inferno astral?

O blog anda com um certo delay, mas é culpa da semana agitada, não minha. Tecnicamente hoje é dia 05, mas o blog ainda está no dia 02. Enfim...

É mentira que eu me irrito fácil. Ocorre que, se eu não estiver irritada, o destino persiste!

Vamos aos fatos:

Quarta-feira, 02 de dezembro: acordei até animada pois, teoricamente, o meu inferno astral tinha acabado no dia anterior. Para minha surpresa, assim como o blog, meu ciclo solar também parece estar com delay.

Em tempo, as "quartas-feiras" sempre foram tensas pra mim. Eu não sei porque mas é o dia da semana em que saio de casa com uma nuvenzinha em cima de mim. Ainda que o dia esteja lindo, pra mim ele está nublado.

Chego no escritório no horário de sempre e me arrasto até a cozinha rezando para uma boa alma já ter feito o café. Nada. Resolvo fazê-lo eu mesma. Nada de pó de café. Cogito a possibilidade de ir até o mercado, mas seria pedir demais... Melhor me concentrar em outra coisa enquanto o pó de café não chega por livre e espontânea vontade.

Computador com problemas pra ligar, promessa para Nossa Senhora dos Computadores que Não Ligam e ele liga! Abro o Diário Oficial e dou de cara com um número assustador de publicações. Prazos e mais prazos a cumprir. Enfim, é a minha penitência por um dia ter desejado o curso de Direito. Mas são 8:20 e o dia está só começando, ainda dá tempo de melhorar (ou piorar).

Logo mais o café chega pelas mãos de uma colaboradora e me faz sentir melhor. Sempre ouvi dizer que amigos são anjos... Acredito! Ainda mais quando esses anjos trazem café.

Começo a me preparar para o dia e a mesa vai novamente retornando à sua aparência habitual, estilo "pós furacão Katrina". No ponto alto da desorganização eu me lembro que preciso "dar um pulo" na prefeitura e retirar uma certidão XYZ. O "dar um pulo" tem que estar entre aspas mesmo porque qualquer ser humano normal sabe que, se depender da eficiência de um órgão público, é impossível dar um pulo, no máximo, brincar de estátua ou morto-vivo. Fui.

Pensando que nada poderia dar errado, já que eu SEMPRE faço a MESMA solicitação, no MESMO lugar, pagando as MESMAS taxas, para o MESMO cliente, referente ao MESMO processo, entrei na Prefeitura Municipal (que é um pleonasmo) tentando não demonstrar insegurança. (Se quiser sobreviver, NUNCA demonstre insegurança a um funcionário público).

Chego no balcão e entrego o protocolo de retirada. Foi nessa hora que a nuvem de quarta-feira começou a dar o ar da graça só pra me mostrar que o inferno astral não tinha acabado. Com aquela entonação de "Rá! Vou te dar canseira!" o funcionário me pergunta:

- Você trouxe o contrato social da empresa? 
- hã?
- O con-tra-to so-ci-al...
- Pra que você quer o con-tra-to so-ci-al??
- Para confirmação de CNPJ e razão social.
- Como assim? A certidão não foi emitida ainda?
- Foi, está aqui, mas eu preciso confirmar.
- Mas está na própria certidão!
- É só pra confirmar.
- Eu entendi mas, se a certidão foi emitida, isso quer dizer que o CNPJ e razão social estão corretos ou a prefeitura emite certidões com informações incorretas?
- Não é isso, é que... blá blá blá blá blá (infinito).

Bom, eu tive que ir ao departamento de dívida ativa, ao jurídico, voltar ao protocolo, começar mais uma discussão, etc... Mas saí vitoriosa, com a certidão nas mãos. O dia estava difícil, mas não impossível.

O calor dentro do carro fazia eu me sentir um peru em véspera de natal, mas tudo bem, eu tinha acabado de ganhar uma guerra e o meu troféu era uma droga de certidão.

Segundo Round, Forum. Logo ao entrar eu vejo no balcão do cartório da segunda vara cível uma cliente do escritório (chaaaata) e me lembro que o processo dela está na PRIMEIRA vara cível. O que ela faz na segunda? Lembrei! Ela está fuçando um outro processo da pessoa que moveu ação contra ela. Fuçando é a palavra certa e fuçar é muito feio. Já acho feio se você é um pobre advogado buscando informações, se você é parte, pior ainda (um dia escrevo um merecido post sobre "as partes" do processo).

Usei o velho truque do celular (aquele que você finge falar com alguém para que o chato que você já avistou não te interrompa) e passei rápido. Subi as escadas bem em frente ao balcão onde a chata estava e pude vê-la perguntando um monte de coisas para a funcinária do cartório, que aqui receberá o nome de Cabeluda.

A Cabeluda é uma das senhoras mais chatas e arrogantes de todas as varas cíveis. Me deu vontade de parar no meio da escada, dançar a macarena pra ela e gritar: "Bem feito! Eu disse que um dia você ia se f...". Mas achei melhor não chamar a atenção para mim, de forma que eu só olhei e dei um sorrisinho sarcástico.

Pronto, a nuvem que estava dando trégua resolveu voltar com força total. Praga da Cabeluda, tenho certeza.

Lá em cima, fila no balcão do protocolo, sistema fora do ar, fila enorme no banco, saguão lotado de gente aguardando audiências, uma mulher chorando e brigando com o (penso eu!) ex-marido, aquele clima amistoso de pré-audiência de vara de família, uma delícia! O jeito é voltar mais tarde.



Passei pela Cabeluda e a chata de novo e saí sem ser notada. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que um engraçadinho havia colado na traseira do meu carro, dificultando um pouco a minha fuga.

Volto ao escritório, chateações normais, meto o joelho numa gaveta e quase choro de dor, calor insuportável, advogado da sala ao lado em reunião de alto nível de decibéis... Tudo normal.

Faço uma horinha e resolvo que é hora de voltar ao Forum. Entro no carro e percebo que alguém deixou um panfleto no pará-brisa, mas decidi que não era o momento de sair do carro e tirá-lo, faria isso a hora que chegasse ao Forum ou quando chegasse em casa ou não faria, esperaria ele sair sozinho e, gentilmente, dirigir-se a uma lixeira por conta própria.

Mas, como já era de se esperar, no meio do caminho começou a chover, na verdade, mandaram água de balde, molhando o papel em apenas alguns segundos. Por mais que eu não quisesse aceitar a idéia, tinha que ligar o limpador de para-brisa. Aquela massa de papel molhado se espalhou por todo o vidro. Lindo!

Não tinha uma m... de uma vaga próxima ao Forum, tomei chuva, molhei a petição que ia protocolizar, quase caí atravessando a rua de paralelepípedo. O fim de tarde estava realmente maravilhoso.

Chego em casa, p da vida (bobagem!) e vou tomar banho. Só quando estou inteira molhada é que eu percebo que acabou o shampoo... E ainda eram seis horas da tarde...


Errata: no post anterior, sobre o Dr. Psiquê, onde escrevi "1/3 de idade" leia-se "2/3 de idade". É que meu pai, que acabou de ler o post, me avisou que 1/3 é menos que 1/2 e a minha intenção era justamente o contrário. Nunca entendi direito as frações, a parte do meu cérebro responsável pela matemática foi desativada logo que eu nasci.

3.12.09

Dr. Psiquê

Dia 23 de novembro eu decidi que era hora de consultar um psiquiatra. Os motivos não importam. Peguei o "catálogo" de médicos que atendem ao meu plano de saúde, descartei os que eu já conhecia e não gostei e sobraram quatro de uma lista considerável.

Nos três primeiros que liguei só havia consulta para depois do dia 20 de dezembro. Na minha humilde opinião, psiquiatra deveria atender pronto-socorro porque, dependendo do seu estado, não dá pra esperar um mês... Bom, mas na última tentativa (surpresa!) tinha horário para o dia 01/12, meu aniversário. Não é coincidência, é azar mesmo. Enfim, como eu não estava em condições de recusar a oferta, aceitei.

E no dia 01/12, no horário marcado, eu estava lá.

Enquanto preenchia minha ficha, um homem, pouco mais velho que eu, perambulava pela recepção. Ouvi a recepcionista chamá-lo de Doutor (?). Ele procurava por algo que parecia não estar ali (será que ele é o médico?) e parecia um pouco perdido, transtornado (só pode ser ele, todo psiquiatra é louco!). E era.

Eu não tenho nehum preconceito com médicos jovens mas, para meu psiquiatra eu esperava um senhor de 1/3 de idade, barba e um "ar" de Freud. Tá, ele é psiquiatra e não psicanalista... mas vocês entenderam onde eu quero chegar. Se não entenderam eu explico: o Dr. Psiquê tem idade pra ser meu amigo de bar, uma dessas pessoas que eu poderia encontrar numa balada (se eu as frequentasse) e o "ar" estava mais para Hannibal Lecter.


Conte-me tudo!

Entrei, sentei e tive que expor o motivo pelo qual eu estava ali. Confesso que fiquei desconfortável, primeiro porque meus amigos sabem que eu não sou normal, mas eles descobriram isso sozinhos, eu não contei. Segundo porque eu jamais tomaria um remédio indicado por um amigo de bar, não um remédio de uso controlado pelo menos, no máximo, um dorflex. Terceiro porque ele tinha um olhar "vidrado" e ao mesmo tempo perdido (medo!).

Claro que ele deve ter percebido que eu estava desconfortável mas, ao invés de me oferecer uma cerveja pra relaxar, ele me bombardeou de perguntas. A entonação da voz dele era quase de um serial killer, psicopata, prestes a devorar a vítima que, no caso, era eu.

E eu tinha vontade de dizer: "Olha, eu sei qual é o remédio, eu só preciso da receita, vamos pular essa parte em que você quer saber de tudo (ou me mata!)... Eu saio feliz (e ilesa) e poupamos seu tempo (e minha vida)". 

No fim ele constatou o que eu já sabia (ufa! ele não quis "inovar") e me receitou o remédio que eu já conhecia (ufa! ele não quis "inovar" [2]).

Fui embora, com duas caixas do remédio que ele me deu, esperançosa e sem nenhum arranhão.

O retorno ficou para 05/01 mas, como é de praxe, não sei se vou. Eu nunca faço o "retorno" dos médicos e neste, particularmente, fico com medo de entrar no consultório e surpreendê-lo com a boca suja com sangue do paciente anterior...

29.11.09

O dia em que traí a Saraiva!


Primeiro eu vou contar porque eu gosto tanto da livraria Saraiva:

Moro em Indaiatuba e aqui não tem Saraiva, mas tem Laselva, aliás, tem uma no "Shopping" e uma no centro. Eu não sei se é um problema da rede ou o público indaiatubano que não é muito exigente (ou eu que sou exigente demais) mas, eu nunca encontro nada na Laselva. Eles parecem estar se especializando em livros de auto-ajuda e juvenis.

Certa vez, pensando em preencher uma lacuna na minha vida (ler Cem anos de solidão), fui até a Laselva. Procurei, procurei e nada. Nesse tempo fiquei pensando que seria melhor, talvez, ler outro livro do autor antes de me aventurar em Cem anos de solidão, afinal, eu já tinha tentado por duas vezes e não tinha conseguido. Vi uma atendente simpática e me aproximei:

- Você tem Gabriel Garcia Marquez? (assim mesmo, genérico, a fim de que ela me apresentasse outros títulos, mas talvez a minha pergunta tenha sido dúbia).

A moça procurou no computador, numa pesquisa por "título". Achei que não estava certo, mas como não sou funcionária da loja e não conheço o sistema de busca, resolvi ficar quieta. Ela fez uma cara de "putz, que pena, não tem" e procurou de novo e de novo, mudando a grafia de Marquez para Marques, tirando o Garcia, deixando só o Gabriel, enfim... Não encontrou! Eis que ela se vira pra mim e lança:

- Tem certeza de que o título é esse mesmo?

- Não. Tenho certeza de que este é o autor de vários títulos.

- Ah! É o autor? Perae...

Espero. Afinal de contas ela não tinha obrigação de saber que Gabriel Garcia Marquez era o nome do autor, ela só trabalha na livraria, não é mestre em literatura. Hunpf!

- Olha, não tem mesmo.

- Nada?

- Nada.

Olhei à minha volta de vi a coleção inteira do Augusto Cury.

- Ok. Obrigada.

- Se quiser, podemos encomendar, chega em 7 dias.

- Não. Obrigada.

Depois desse episódio, só entro na Laselva pra passar o tempo, se estiver, por exemplo, esperando o horário do cinema.

Mas, enfim, ontem eu estava em casa fazendo o que qualquer deprê pobre faria: notebook, cama e pijama. E me deu uma vontade louca de estar na Saraiva. Não gosto muito da Fnac e a Cultura, apesar de linda, bem, não é a Saraiva.

Um amigo entrou no msn e, sabendo do meu desejo, manifestou interesse em ir comigo. Ótimo, já tinha companhia, agora era só vencer a primeira lei de Newton (todo corpo em repouso tende a continuar em repouso) e ir. Fomos.

Chegando na Saraira meu coração já começou a disparar. Fico realmente ansiosa antes de entrar, pela perspectiva das maravilhas que encontrarei lá dentro.

Mas, eu não sei se era o estado deprê, o tempo chuvoso ou sei-lá-o-que, perdi o pique rapidinho. De repente, nada mais me interessava. Não conseguia achar um livro que me desse realmente vontade de levar para casa. Passamos mais de uma hora lá dentro e NADA! Desisti e falei pro meu amigo: "Vamos na Cultura". Fomos.

Qual não foi a minha surpresa quando, ao chegar na Cultura, uma prateleira começou a piscar pra mim. Literalmente. Advinhe: Gabriel Garcia Marquez. Escolhi "O amor nos tempos de cólera". Andamos mais um pouco, cheguei a cogitar levar outros títulos mas deixei pra lá. Não estava animada mesmo. A moça do caixa me ofereceu o cartão fidelidade da loja, mas eu não fiz (já tenho o da Saraiva e, fidelidade pra mim é assunto sério).

Voltando para Indaiatuba (sim, estávamos no Iguatemi-Campinas), ouvindo Metallica, eu me perdi. Primeiro nos meus pensamentos e depois (e em consequência disso), no caminho propriamente dito. Quando me dei conta estava indo sentido "Sousas"... Droga!

Fui seguindo os meus instintos (o que não é grande coisa) sem me desesperar, afinal de contas já estou acostumada a me perder. Sempre acontece, se não me perco pra ir, me perco pra voltar.

Alguns minutos depois vejo uma placa "Bem vindo a Valinhos". Entramos em Valinhos, não tinha outra opção. E, como disse meu amigo, Valinhos é uma cidade que você não pode desistir de entrar. Não tinha retorno! Algum tempo depois achamos o retorno e voltamos para a estrada. Não estávamos com pressa mesmo...

Depois de um tempo perdidos (e eu imaginando ser mandinga da Saraiva por eu ter comprado na Cultura) achamos placas indicando "Indaiatuba". Estamos em casa.

Ainda chegamos à tempo de comer e eu conseguir passar na locadora e viver um momento sóacontececomigo.com.br... Mas essa é outra história...

28.11.09

Viagem ao centro de mim!


É comum pensarmos que nos conhecemos, que conhecemos nossos próprios desejos e anseios, que conhecemos nossos medos, fraquezas e angústias... Balela! Ninguém se conhece de fato, no máximo, faz uma idéia de quem seja.

É difícil admitir, mas o fato é que somos estranhos à nós mesmos. Pior, passamos a vida tentando entender as outras pessoas.

Bicho estranho é o ser humano, que se ocupa do sentimento dos outros, se comove ou vibra com as angústias alheias sem saber, na verdade, onde aperta o próprio calo.

... E nós pagamos terapeutas, alugamos o tempo dos amigos, dos inimigos e até do cachorro com nossos problemas quando, na verdade, a causa do nosso desconforto está dentro de nós mesmos e não cabe à ninguém mais essa descoberta.

Para Mário Quintana, "o pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso". E isso é tão real quanto perturbador!

Pra que serviriam então o amigo, o inimigo, o cachorro e o terapeuta?

Bom, o amigo, pra dizer o que você quer ouvir. O inimigo, pra dizer o que você não quer ouvir, mas precisa. O cachorro, pra levantar sua auto-estima quando te recebe em casa como se você fosse um galã da novela das oito em festa de debutante. O terapeuta, bem, esse eu ainda não descobri.

O fato é que pra tentar se conhecer um pouquinho (atenção nas palavras "tentar" e "pouquinho") é preciso uma viagem para dentro de você mesmo. Não uma simples viagem, cega de seus defeitos e limitações, mas uma viagem sincera, sem auto-engano, sem medo ou vergonha... Você estará com você mesmo, não se acanhe!

Essa viagem pode ser bastante penosa, você vai encarar sentimentos que não gostaria, defeitos que não admite, inseguranças que normalmente esconde... Mas, depois de passada a fase do pavor (sim, você pode ter que encarar coisas assustadoras!), da angústia, da não aceitação, do quase ou total desespero, vai valer a pena ter embarcado...

Esse processo todo, do reconhecimento da necessidade, da viagem propriamente dita, da "deprê" do retorno pode demorar mas, se já esperou angustiado até agora, custa nada ter um pouco mais de paciência...

27.11.09

Tim Burton's Alice in Wonderland




Novo filme do Tim Burton será uma sequência do clássico "Alice no País das Maravilhas". Alice, agora com 17 anos, volta para o lugar visitado há dez anos atrás.

Estou ansiosa e apostando todas as minhas fichas nesse filme...

25.11.09

Lewis X Lewis



Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo a ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir, vai tornar-se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa à uma tragédia - ou pelo menos ao risco de uma tragédia - é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.

(C. S. Lewis - Os Quatro Amores)




 
- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.

(Lewis Carrol - Alice no País das Maravilhas)

23.11.09

Depressão, por Maria Rita Kehl.


"A depressão é o rompimento da rede de sentido de amparo. Momento em que o psiquismo falha em sua atividade ilusionista e deixa entrever o vazio que nos cerca, ou o vazio que o trabalho psíquico tenta preencher. É um momento de um enfrentamento insuportável com a verdade. Algumas pessoas conseguem evitá-la a vida toda."

"Temos a arte para não morrer da verdade" (Nietzsche)


Landscape with butterflies - Salvador Dali

Adiamento

Eu já disse que, Pessoa por Pessoa, eu prefiro Álvaro de Campos? Na verdade, nem é mera preferência, eu praticamente ignoro Alberto Caeiro e Ricardo Reis... Acabei de ler "Adiamento" e cada vez mais tenho certeza da minha preferência. E olha que ultimamente ando sem muitas certezas... Enfim... Olha isso!



Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível, mas hoje não...
Não, hoje nada, hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

20.11.09

Defeito nos meus reflexos!

Ando tendo uns reflexos estranhos. Sabe quando você está dirigindo e passa uma sacola voando no chão (povo porco!) e você acha que é um cachorro e desvia? Pois bem, é quase igual, mas é que meus reflexos andam bem estranhos ultimamente... e olha que eu nem tenho bebido!

Esses dias estava chovendo e eu jurei ter visto na calçada gêmeas siamesas. Levei um baita susto, mas era só uma mulher carregando uma criança e dividindo a capa de chuva.

Outro dia, em frente ao mercado, pensei ter visto alguém vestido de urso polar (num calor de 40 graus na sombra). Era só um homem carregando um cachorro de pelúcia enorme.

Hoje EU VI um pinguim em plena Avenida Presidente Kennedy mas, quando olhei de novo, era uma Vap...


19.11.09

Quero ir pra Cuba!

Uma amiga comentou que uma amiga dela vai passar o reveillon em Cuba.
Isso acendeu um velho desejo meu! Aguém aí me compra uma passagem pra Cuba???


Rui Barbosa


"A injustiça, senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditarem senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade [...] promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas."



Que pessoa certa?



Vejo todos os dias as pessoas atrás da "pessoa certa", de encontrar a "tampa da panela" pra, aí sim, se envolverem na ilusão de que serão felizes para sempre.

Chego à conclusão de que, até hoje, nunca houve uma pessoa errada na minha vida. Independente do quanto durou ou porque acabou o relacionamento, foram pessoas certas, por um longo ou curto período, mas, ainda assim, certas em seus momentos.

Não acredito que haja alguém perfeito para outrém, não acredito em alma gêmea... Acredito em pessoas dispostas, com mesmo objetivo que, por coincidência ou destino, se encontraram e fizeram acontecer. Só!

16.11.09

Repercusão sobre o orkutcídio...

Por que será que as pessoas se espantam quando você toma uma atitude "radical"?

Eu SÓ excluí meu orkut, não fugi de casa pra morar em uma ilha não habitada em Galápagos...

Veja alguns comentários de amigos sobre o fato:

- "Você prometeu que não ia mais beber. Que foi, encheu a cara e decidiu fugir do mundo?"
(Não estou fugindo DO MUNDO, só estou cansada do orkut. Bjomeliga! rsrsrs)

- "Fiquei triste, era uma forma de matar um pouquinho a saudade."
(A saudade a gente mata de outra forma, né? Pior é a saudade que o orkut não mata...)

- "uauuuuu muito forte td isso! Mas eu concordo com vc que o virtual não faz bem, pq não é real..."
(É mais ou menos isso... O virtual é legal, mas no momento prefiro o que é real mesmo.)

- "Aquela história com o Greenpeace deu certo e você está indo embora com eles? ahahaha"
(Quem me dera...rsrs)

- "Se eu montar uma comunidade pra você voltar, convidar os amigos pra participar, você volta?"
(Nem pra fazer parte da comunidade... Agora não!)

Agora eu fico pensando: Será que, quando alguém me perguntar se eu tenho orkut e eu falar que não, vão me olhar com a mesma cara que me olhavam quando eu dizia que não torcia pra nenhum time de futebol? o_O

15.11.09

P.S. Eu te amo!



"Não conseguia se lembrar da última vez em que estivera verdadeiramente feliz, quando alguém ou algo a fazia rir tanto que seu estômago a incomodava e seu maxilar doía. Sentia falta de ir para cama à noite sem absolutamente nada na cabeça, sentia falta de apreciar a comida, em vez de comer ser apenas algo que precisava enfrentar a fim de continuar viva. Detestava as contrações na barriga cada vez que se lembrava de Gerry. Sentia falta de apreciar seus programas de televisão favoritos, em vez de apenas assisti-los sem interesse, somente para passar as horas. Detestava não ter motivo algum para acordar, detestava a sensação que tinha quando acordava. Detestava não sentir excitação alguma e não ter nada por que ansiar. Sentia falta de ser amada, de saber que Gerry a estava observando enquanto ela assistia à televisão ou comia seu jantar. Sentia falta dos olhos dele sobre ela quando entrava em um cômodo, sentia falta dos seus toques, seus abraços, seus conselhos, suas palavras de amor."

Maria sem vergonha

Alguns dias atrás parei numa floricultura a fim de comprar um vaso bem legal pra deixar na mesa do escritório. O jardineiro de lá me indicou um vaso de "Impatiens New Guinea Hybrida", para os mais íntimos, Maria sem vergonha! (É claro que esse "apelido" eu só descobri depois, alguém me falou, não entendo naaaada de plantas!).

O tal do jardineiro me falou maravilhas sobre ela, que iam da facilidade do cultivo até questões místicas de que ela "limpa o ambiente" e é "ótima para os negócios". Perfeita pro escritório. É essa mesmo, moço!

Só uma ressalva: segundo o jardineiro essa planta é como o amor, tem que ser regada todos os dias... Foi quando pensei (mas não falei): "O senhor é um romântico incurável ou um comediante stand-up?". Enfim, levei o raio da planta...

Já no primeiro fim de semana, prolongado por conta do feriado de finados, me vi obrigada a levar a D. Maria pra casa, visto que ela tem que ser regada TODOS OS DIAS (como o amor, lembram?). E ela acabou ficando, não levei de volta pro escritório.

Eis que hoje eu acordo e percebo que ela está MORRENDO. Juro que reguei todos os dias e até ontem ela estava linda. Alguma coisa aconteceu com ela esta noite, mas ela não me conta.

Coloquei água, tentei conversar e nada!

O último vaso que tive foi um de Hortência, durou 1 semana... (Contei pro jardineiro romântico o triste fim da Hortência e ele disse que ela gosta mesmo de climas frios, então eu não tive culpa... ufa!).

Espero que a Maria sobreviva e seja a recordista de tempo de sobrevivência sob meus cuidados...

"Orkutcídio"

Bom, é isso mesmo. Numa hora dessas, se o google for fiel, não faço mais parte da famosa rede de relacionamentos Orkut.

O cancelamento da minha conta é uma idéia antiga mas, como nunca houve um motivo concreto, fui protelando a decisão. Hoje a decisão foi tomada. E o motivo para ter sido hoje é: CANSEI!

Abaixo uma pequena lista do que motivou essa decisão. Muito simples de entender.

1. Eu não preciso do orkut para estar em contato com as pessoas que realmente importam pra mim. É verdade que algumas dessas pessoas eu reencontrei no orkut, mas agora, não preciso mais dele.

2. Algumas pessoas eu só "via" pelo orkut, mas tenho certeza de que se o sentimento for verdadeiro ele transcende a rede virtual de relacionamentos. As pessoas importantes que fizeram e fazem parte da minha vida receberam um e-mail com meus contatos... Querendo, a gente se vê!

3. Não preciso das "informações" que o orkut me dá sobre as pessoas. Quem eu conheço, eu pergunto o que quiser saber. Quem eu não conheço, não interessa. Além do mais, às vezes é melhor se manter desatualizada de certos assuntos.

4. Preciso esquecer coisas que o orkut me fazia lembrar. Questão de sanidade mental!

Em resumo, é isso. Em contrapartida, atualizarei mais meus blogs, este e o de proteção aos animais que anda meio abandonado. Minha vida virtual agora é por aqui...

Até mais, voltem sempre!

14.11.09

Coincidência


"Na sincronia entre coincidência e destino, cá estou eu à espera de que esse amor não seja simplesmente um acaso."


(Leo Cruz)

Vergonha



Você já respondeu à um aceno que não foi pra você? Sorriu para alguém que sorria para outra pessoa, e não para você?

Ah, claro que já... Dá vergonha, a gente quer se esconder, sumir, evaporar... Mas isso tudo passa quando você sai do campo de visão do culpado pela sua vergonha, aquele coitado que nem tinha a intenção, mas fez você pagar o maior mico.

Já bebeu demais e disse coisas que não deveria? Contou segredos seus (ou de outros) que não poderiam nunca ser revelados? Já, né?

Esses momentos passam rápido simplesmente porque não têm a menor importância, ainda que na hora seja horroroso.

Pior é quando a gente responde à sentimentos que não são nossos, responde às declarações que não são pra gente, doamos nossos sentimentos a quem não os quer. Aí sim é f... Dá vontade de fazer uma plástica, mudar de identidade, sair do país e, claro, "formatar" o nosso cérebro e livrar-se de tudo.

31.10.09

Tambores de Angola

No mundo onde a ignorância e o sofrimento abrem chagas no coração humano, o chamado da espiritualidade ecoa em nós de forma a rasgar o véu do preconceito espiritual. - João Cobú (Pai João)

Acabei de ler "Tambores de Angola", de Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio. Narrativa impressionante. É aquele tipo de livro que, quando você acaba de ler, já sente saudades, não quer colocá-lo na estante e fica ansioso em devorar outro do mesmo autor.

Ainda que tenha sido criticado por alguns espíritas na ocasião de sua publicação, o livro rompe as barreiras de certos preconceitos e nos propõe uma viagem magnífica pelos mistérios da espiritualidade. Nos leva ao terreiro do Vovó Catarina e Pai Damião, dando-nos uma lição de amor eterno e incondicional em linguagem simples, característica da Umbanda.

Inquietante e esclarecedor.
"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.

Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar."


(Rubem Alves)

Porque eu prefiro poesia à auto-ajuda...


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
...
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
...
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
...
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
...
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
...
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
...

(Trechos de "Tabacaria", de Álvaro de Campos)

Conselho de um Mestre Zen!


"... sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as conseqüências. "
(Osho)

De mudança...


Hoje não é 1° de janeiro, nem dia santo, nem meu aniversário. Misticamente falando, hoje não se encerra nenhum ciclo, nem um ano, nem é dia para promessas vãs. Mas hoje eu decidi mudar, repensar minha vida até agora e fazer projetos para o futuro. E meu principal projeto para o futuro é não fazer projetos...

Hoje eu decidi ficar comigo mesma, ler os livros que estão empoirando na estante, esperando serem lidos. Decidi escrever mais e falar menos. Fazer mais e pensar menos.

Hoje eu decidi que as flores ficam no meu quarto e merecem atenção. O jornal de ontem, as notícias de anteontem, passarão...

Um brinde!


Um brinde à todos os meus amigos, sem exceção. Aos que são, aos que foram e aos que serão!

Um brinde àqueles amigos "até de baixo d´água", aos que me fazem voar alto, aos que me mantém com os pés no chão.

Um brinde aos tagarelas e aos que falam pouco. Aos que me envolvem em suas conversas e aos que compartilham o meu silêncio.

Um brinde àqueles que me fazem sorrir, aos que me permitem chorar. Aos pseudo-terapeutas gratuitos que dividem a cerveja, o abraço e a mesa do bar.

Um brinde aos amigos conselheiros e aos que não tem nada a dizer. Aos que acreditam em destino e aos que acreditam em acaso.

Um brinde aos amigos que confiam em Deus. Um brinde aos amigos ateus.

Um brinde aos amigos que a vida me deu, aos que eu soube conservar e aos que eu esqueci em algum lugar.

Um brinde!

8.10.09

Estou emocionada

Acabo de saber que o vereador Juscelino Gadelha (PSDB) propôs o tombamento do sotaque da Mooca. Isso mesmo, o sotaque mooquense pode ser tombado como patrimônio histórico.

Mooquenses de plantão, vamos entrar para a história. Vejam a notícia e se emocionem também.

2.10.09

E por falar em Direito...

Ando absorvida pelo Direito. Estágio, faculdade, monografia à vista e outras coisas. Casos sérios! Mas, apenas para descontrair e preencher o grande espaço vazio por aqui, segue um e-mail que recebi outro dia... Adorei!

Aprenda Direito em 1 minuto

1- Princípio da iniciativa das partes - 'faz a sua que eu faço a minha'..

2 - Princípio da fungibilidade - 'só tem tu, vai tu mesmo' (parte da doutrina e da jurisprudência entende como sendo 'quem não tem cão caça com gato').

3 - Sucumbência - 'a casa caiu !!!', ' ou tambor girou pro seu lado'

4 - Legítima defesa - 'tomou, levou'.

5 - Legítima defesa de terceiro - 'deu no mano, leva na oreia'

6 - Legítima defesa putativa - 'foi mal'..

7 - Oposição - 'sai batido que o barato é meu'.

8 - Nomeação à autoria - 'vou cagoetar todo mundo'.

9 - Chamamento ao processo - 'o maluco ali também deve'.

10 - Assistência - 'então brother, é nóis.'

11 - Direito de apelar em liberdade - 'fui!' (parte da doutrina entende como 'só se for agora').

12 - Princípio do contraditório - 'agora é eu'.

13 - Revelia, preclusão, perempção, prescrição e decadência -'camarão que dorme a onda leva'

14 - Honorários advocatícios - 'cada um com seus pobremas'.

15 - Co-autoria, e litisconsórcio passivo - 'passarinho que acompanha morcego dá de cara com muro'

16 - Reconvenção - 'tá louco, mermão. A culpa é sua'.

17 - Comoriência - 'um pipoco pra dois' ou 'dois coelhos com uma paulada só'.

18 - Preparo - 'então..., deixa uma merrequinha aí.'

19 - Deserção - 'deixa quieto'.

20 - Recurso adesivo - 'vou no vácuo'.

21 - Sigilo profissional - 'na miúda, só entre a gente'.

22 - Estelionato - 'malandro é malandro, e mané é mané'..

23 - Falso testemunho - 'X nove...'.

24 - Reincidência - 'porra mermão, de novo?'.

25 - Investigação de paternidade - 'toma que o filho é teu'.

26 - Execução de alimentos - 'quem não chora não mama'.

27 - Res nullius - 'achado não é roubado'.

28 - De cujus - 'presunto'.

29 - Despejo coercitivo - 'sai batido'.

30 - Usucapião - 'tá dominado, tá tudo dominado'.


Tá, só tem sentido pra quem conhece a matéria...

18.9.09

Parabéns ao Ministro Humberto Martins - STJ

Decisão impede utilização de meios cruéis em sacrifício de animais

Decisão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determina que eliminação de animais em Centro de Controle de Zoonose não seja feita de modo cruel. Em situações extremas em que o sacrifício de animais seja imprescindível para proteger a saúde humana, deverão ser utilizados métodos que amenizem ou inibam o sofrimento dos animais.

O entendimento da Segunda Turma foi firmado em julgamento de recurso interposto pelo município de Belo Horizonte (MG), que recorreu ao STJ contra acórdãos do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O caso envolve o sacrifício de cães e gatos apreendidos por agentes públicos para o controle da população de animais de rua. O Centro de Controle de Zoonose atua com o objetivo de erradicar doenças como a raiva e a leishmaniose, que podem ser transmitidas a seres humanos.

O ministro relator Humberto Martins reconhece que, em situações extremas, como forma de proteger a vida humana, o sacrifício dos animais pode ser necessário. No entanto, conforme entendeu o TJMG em seus acórdãos, devem ser utilizados métodos que amenizem ou inibam o sofrimento dos animais, ficando a cargo da administração a escolha da forma pela qual o sacrifício deverá ser efetivado.

Humberto Martins chama a atenção para o limite dessa discricionariedade, ao se referir ao posicionamento do TJMG: "Brilhante foi o acórdão recorrido quando lembrou que não se poderá aceitar que, com base na discricionariedade, o administrador público realize práticas ilícitas", afirmou Humberto Martins.

No caso, Humberto Martins avalia que a utilização de gás asfixiante pelo Centro de Controle de Zoonose do município é medida de extrema crueldade, que implica violação do sistema normativo de proteção dos animais, não podendo ser justificada como exercício do dever discricionário do administrador público.

O município mineiro sustentou que o acórdão do TJMG, ao decretar que deve ser utilizado outro expediente para sacrificar cães e gatos vadios, como a injeção letal (entre outros que não causem dor ou sofrimento aos animais no instante da morte), teria violado de forma frontal o princípio da proibição da reformatio in pejus (impossibilidade de haver reforma da decisão para agravar a situação do réu).

Ao avaliar a alegação, Humberto Martins, considerou que não houve gravame maior ao município. Para o ministro, os acórdãos apenas esclareceram os métodos pelos quais a obrigação poderia ser cumprida. ?O comando proferido pelo tribunal de origem, em dois acórdãos, é bastante claro: deve o município, quando necessário, promover o sacrifício dos animais por meios não cruéis, o que afasta, desde logo, o método que vinha sendo utilizado no abate por gás asfixiante?, esclareceu o ministro.

Na avaliação do relator, o tribunal de origem apenas exemplificou a possibilidade da utilização da injeção letal, sem, contudo, determinar que essa seria a única maneira que atenderia ao comando da decisão. Ao contrário, o TJMG abriu espaço para outros meios, desde que não causassem dor ou sofrimento aos animais.

Entre sua argumentação, o município alegou ainda que, nos termos do artigo 1.263 do Código Civil, os animais recolhidos nas ruas - e não reclamados no Centro de Controle de Zoonose pelo dono, no prazo de 48 horas -, e os que são voluntariamente entregues na referida repartição pública, são considerados coisas abandonadas. Assim, a administração pública poderia dar-lhes a destinação que achar conveniente.

Ao avaliar a argumentação do município, o ministro Humberto Martins apontou dois equívocos: primeiro, considerar os animais como coisas, de modo a sofrerem a influência da norma contida no artigo 1.263 do CC; segundo, entender que a administração pública possui discricionariedade ilimitada para dar fim aos animais da forma como lhe convier.

A tese recursal, na avaliação de Humberto Martins, colide não apenas com tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Afronta, ainda, a Constituição Federal, artigo 225, parágrafo 1º, VII; o Decreto Federal n. 24.645/34, em seus artigos 1° e 3°, I e VI; e a Lei n. 9.605/98, artigo 32.

Recomendação da OMS

Muitos municípios buscam o controle de zoonoses e da população de animais, adotando, para tal, o método da captura e de eliminação. Tal prática era recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em seu Informe Técnico n. 6, de 1973.

Após a aplicação desse método em vários países em desenvolvimento, a OMS concluiu ser ele ineficaz, enunciando que não há prova alguma de que a eliminação de cães tenha gerado um impacto significativo na propagação de zoonoses ou na densidade das populações caninas. A renovação dessa população é rápida e a sobrevivência se sobrepõe facilmente à sua eliminação.

Por essas razões, desde a edição de seu 8º Informe Técnico de 1992, a OMS preconiza a educação da comunidade e o controle de natalidade de cães e gatos, anunciando que todo programa de combate a zoonoses deve contemplar o controle da população canina como elemento básico, ao lado da vigilância epidemiológica e da imunização.

Ocorre, porém, que administrações públicas alegam a falta de recursos públicos para adotar medidas como vacinação, vermifugação e esterilização de cães e gatos de rua. A eliminação dos animais aprendidos acaba ocorrendo por meio de câmara de gás.

Processos: Resp 1115916

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

(Notícia copiada, na íntegra, do site da AASP - Associação dos Advogados de São Paulo)

10.9.09

O "quem sou eu" do orkut.

Só para blog não cair no esquecimento, vou postar a minha atualização do "quem sou eu" do orkut. Juro que tento algo melhor em breve.



Quem sou eu:

Uma mistura daquilo que aprendi com aquilo que acredito...
E eu aprendi e acredito que:

- As pessoas não são boas nem ruins, são apenas pessoas, seres falíveis e em evolução... e nem sempre a palavra “evolução” está atrelada à idéia de melhoria.

- Essas mesmas pessoas vêm e vão e, por mais que isso pareça ruim, não é. Outras virão.

- Não se pode humanizar um animal, muito menos escravizá-lo. Eles são seres diferentes de nós e precisam ser respeitados em sua irracionalidade, assim como respeitamos (ou tentamos) respeitar os humanos “irracionais”.

- “Tudo muda o tempo todo no mundo”* e não dá pra ter a ilusão de que as coisas boas não são transitórias, muito menos se desesperar se algo ruim acontecer. Tudo passa, mesmo que volte depois.

- Ser livre é muito bom, mas “estar preso por vontade”** é melhor ainda. Ame, ame, ame!

- Nem sempre as pessoas agirão da forma esperada, ou mesmo adequada, mas isso não quer dizer que elas sejam ruins... Mas se forem, o problemas é delas. Danem-se.

- Posso não ter tanto dinheiro quanto eu gostaria, mas é sempre melhor tê-lo como fruto do trabalho digno e ético. Mas eu ainda vou ganhar na loteria... Ah, se vou...

- Que a vida só é dura pra quem é mole, ainda que eu odeie jargões.

- Amigos são imprescindíveis, mas só um inimigo é capaz de dizer certas coisas que precisamos ouvir. Inimigos “rules”.

- Um fim de semana na companhia de um bom livro pode ser melhor que qualquer balada... Mas eu não sou “nerd”!

- Meus animais são companheiros inseparáveis e esse amor é gratuito e incondicional, mesmo quando eles fogem de mim com medo do super-abraço-apertado.

- A felicidade pode estar em lugares que nem imaginamos, assim como as chaves do carro quando estamos atrasados.

- Não se pode admirar uma pessoa por sua posição social ou cor da pele. As posições mudam e pele é tudo pele...
__________
* Trecho da música "Como uma onda", de Lulu Santos e Nelson Mota.
** Trecho da poesia de Luís de Camões.

13.8.09

Desejo - Victor Hugo

Aqui está uma das mais belas poesias, na minha opinião. E a beleza está na simplicidade dela.

Muita gente já conhece, pois foi tema de uma propaganda de final de ano da EPTV - Rede Globo, mas a poesia já existia antes da Globo. Juro! rsrsrs

.
"Desejo, primeiro, que você ame,
e que, amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
mas se for, saiba ser sem desesperar.
.
Desejo também que você tenha amigos que,
mesmo maus e inconsequentes, sejam corajosos e fiéis,
e que pelo menos em um deles você possa confiar sem duvidar.
.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos,
nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
.
Desejo, depois, que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
.
Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais,
e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que, sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
.
Desejo por sinal que você seja triste,
não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
.
Desejo que você descubra, com a máxima urgência,
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
.
Desejo ainda que você afague um gato,
alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
erguer triunfante o seu canto matinal,
porque, assim, você se sentirá bem por nada.
.
Desejo também que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele
na sua frente e diga "isso é meu",
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar,
sofrer sem se culpar.
.
Desejo por fim que você, sendo um homem,
tenha uma boa mulher,
e que, sendo uma mulher,
enha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
.
E se tudo isso acontecer,
não tenho mais a te desejar.

9.8.09

Queria um layout novo, exclusivo... mas sou analfabeta nessas ferramentas de edição de imagem : \

7.8.09

Alguém me "soprou" hoje de manhã:
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"A felicidade está no vazio de algumas coisas que por ora julgamos importantes, mas que mais tarde descobrimos que não são..."
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Só não entendi se foi pra mim, pra ele ou para os dois!

5.8.09

De banda nova

Dia desses meu amigo Ricardo me apresentou o som de uma banda fodástica (com o perdão do termo). A banda se chama Excalion.
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Uma banda finlandesa que teve sua primeira formação em 2000 e gravou seu primeiro cd em 2004.
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Em 2005 alteraram a formação da banda e em 2006 lançaram o álbum "Waterlines".
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Pra quem enjoou um pouco dos clássicos do rock (se é que isso é possível), vale a pena conferir. Pra começar, veja o vídeo da música "Losing Time". E aproveite pra acompanhar a letra:
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Arriving to oblivion,
I am just waking upIf all this is reality, worse than a bad dream
It´s hard to stay awake in here where we all look each others faults
One day it must be clear that no one is save from those
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Look at yourself, this road´s a dead end
I have been lost in this dream of mine
Can anyone tell, what has happened?
Is all too late? I´m losing time
.
All changes make me grumble, telling me to speak up
All thoughts in distortion, make all look strange
Who is the one, who will help me to separate from old
Who will come, running to me when the moment is told
.
Look at yourself, this road´s a dead end
I have been lost in this dream of mine
Can anyone tell, what has happened?
Is is too late? When remorse fades your hope away
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The darkness grows near there´s no moment to lose

3.8.09

O homem perfeito

Como eu disse no post anterior, tem sempre um amigo tentando nos animar nas fases nebulosas das nossas vidas.

Na sexta mandei um e-mail para um amigo de muuuuuitos anos pra contar a "novidade". Eis que hoje ele me responde lindamente, um e-mail enorme que realmente me emocionou. E ainda por cima, pra tentar me animar, mandou este vídeo sobre o homem perfeito. Vale a pena dar uma olhada!

1.8.09

O amor que nunca morre

Bom então é isso, meu relacionamento de 5 anos parece que chegou ao fim... Ou pelo menos à fase do "tempo". Seja como for...

Estou em pedaços, sofrendo bastante. É nessas horas que percebemos que sem pai, mãe e amigos não somos nada. Parece que cada um quer carregar uma parte de você, tirar um pouquinho da sua dor.

Pra ter uma idéia, no dia do rompimento (29/07), chorei muito no colo de papai e mamãe. Minha mão chegou a dizer que daria um braço pra não ter que me ver chorar. É claro que eu jamais permitiria que ela cortasse um braço só para não me ver sofrer, mas a frase me emocionou bastante... Ah, as mães!

Meu pai se sentou ao meu lado e disse tanta coisa, mas nada comparado ao que ele fez hoje, ao me ver chorar. Sentou ao meu lado e ficou em silêncio por muitos minutos. Ah, os pais... e a profundidade do silêncio!

Uma amiga disse que gostaria de tirar essa dor de mim, mas infelizmente não podia. Mas ela podia me dar seus ouvidos, seus ombros, seu coração. Isso já é mais do que suficiente pra mim. Ah, as amigas... e a sensibilidade delas!

Não estava a fim de sair, mas um amigo me ligou me chamando pra ir à casa dele. Ficamos conversando um tempão. Ele me emprestou, além do ombro, um livro sobre budismo. Ele me explicou como isso o ajudou quando passou por uma fase parecida. Lembramos de histórias antigas, de quando ele sofreu também, de como sempre estamos unidos nas alegrias e tristeza... Ah, os amigos... e a incansável tentativa de fazer o deprê sorrir!

Obrigada!

31.7.09

Um post sobre sexualidade

Introdução:
Tenho dois primos pequenos, uma de quase 7 e um de quase 3. Aqui vão duas histórias sobre eles e uma reflexão.
História 1:
Minha prima, saindo do banho, minha tia perguntou:
- Tomou banho direito, Laura?
- Sim, mamãe, lavei até a vagina.
- Como assim?
- É mamãe, eu já sei tudo sobre vagina, a tia Dani me contou (a tia Dani é a tia da escola).
Minha tia disse que não tinha coragem de se olhar no espelho e ver a cor que estava seu rosto. Ela é professora, está acostumada com esses repentes infantis, mas uma filha de 7 anos que sabe TUDO sobre vagina...
E a Laura ainda emendou um comentário de que quando crescer não quer ser mãe, pra não ter que cortar a barriga. Minha tia tentou argumentar dizendo que nem sempre é preciso cortar a barriga e levou:
- Eu sei, mamãe. Sei TUDO sobre a vagina...
Então tá!
História 2:
O meu primo Pedro acha a maior graça em pegar no "pipi" e fazê-lo esticar. Mostra pra mãe com o maior orgulho do "pipi" grande.
Reflexão:
As meninas adquirem maturidade, inclusive sexual, desde pequenas. Os meninos, passam a vida inteira orgulhosos com seus "pipis grandes"...

28.7.09

: \

"Quando o que você mais teme acontece, você está livre para não temer mais nada..."

Cristiana Guerra

O Desafio

Eu não sei andar de bicicleta! Não sei mesmo, nunca aprendi. Acho um absurdo a facilidade que as pessoas têm de se equilibrar na magrela.

Com 5 ou 6 anos de idade o meu sonho era crescer bem rápido e me empregar no Carrefour, pra andar de patins o dia todo.

Eu ganhei meu primeiro patins com uns 6 anos de idade. Treinei, treinei e aprendi a andar. Patins tradicional, bota branca, rodas paralelas vermelhas e freio na frente. Um luxo!

Eu não cresci muito, continuo pequena. E não arrumei emprego no Carrefour... Mas logo passei para o patins "in-line". Tive uns três. O último, bem legal!

Hoje, anos depois, me pego num desafio de querer andar de bicicleta.

Não, não acho tarde. Acho que ainda estou em tempo de aprender. O difícil é superar o medo de cair e me estrupiar. Difícil chegar no da seguinte no trabalho, toda ralada, e dizer "caí de bicicleta"... Nós crescemos e ganhamos de brinde algumas neuras... Enfim...

Confesso que tenho tentado bastante, mas ainda não consegui pedalar.

Como nós, sobreviventes do mundo moderno, temos a tendência de achar que tudo se resolve com a internet, fui buscar ajuda na web para o meu problema. Na busca, achei milhares de pessoas que também não sabem andar sobre duas rodas, um site que diz que até um saco de batatas se equilibra numa bike (por que eu não?) e a história do Alexandre, que ficou muito nervoso ao cair de sua bicicleta.

Como dizem por aí que querer é poder, vou continuar tentando... E pensando carinhosamente sobre a possibilidade de colocar rodinhas laterais (sugestão do meu pai).

Em tempo, assim como o Alexandre, eu também ficarei muito brava se cair.

27.7.09

Eu tenho e-mails, orkut, msn, skype, blog, twitter... e uma preguiça desgraçada de certas pessoas...
Da minha tristeza
Eu faço poesia
Prefiro ser feliz
A ser poetisa
(Detesto minha poesia)
E se amanhã eu me pego sozinha
Sem descer para jantar
Sem apetite, sem dormir
Sem sonhar
Meio humana
Meio trágica
Meio diazepam
Resgato algo de novo (de novo)
E me levo pra dançar...
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(Se não há créditos, é meu.)

14.7.09

Direito por linhas tortas

Sempre quis ser artista. E disposição para tanto.
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Apesar de ter dado meus rodopios na infância e adolescência, a idéia de ser arista nunca passou de mera aspiração.
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Queria fazer teatro. Não queria ser atriz, mas produtora. Pensei muito sério na possibilidade de prestar vestibular para a EAD. Isso foi quando passei no vestibular para Biologia na PUC Campinas, mais ou menos na mesma época em que pensei em prestar vestibular para Medicina Veterinária ou Agronomia. Realmente não sabia o que fazer. Não fiz nada.
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Tempos depois fui fazer Administração. Desisti.
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Minha mãe sempre me disse que eu seria advogada. Lembro dela falar isso desde que eu era pequena e tomava partido nas confusões da escola. Praga de mãe pega!

13.7.09

Da morte

Depois de muito tempo, volto a este espaço. Aleatório. Essa poeirinha xexelenta, perdida no espaço cibernético. Esse blog mais ou menos, sem linha editorial ou motivo específico, sem filosofias profundas e nenhuma disciplina.

Venho apenas para refletir (comigo mesma, sem grandes pretensões) sobre a morte. Na verdade, sobre a vida com a perspectiva da morte.

A certeza da morte não faz as pessoas melhores. Ninguém vive "cada dia como se fosse o último", como vivem alardeando por aí, fazendo pose de herói despojado.

Eu levo meus dias como se tivesse a eternidade à minha frente, sou acomodada assumida. Mas a idéia de morrer me apavora, não tenho vergonha de dizer. Cortei meu dedo outro dia. Acho que rompi uma veia. Pensei que pudesse morrer. Depois passou...

Há pouco olhava meus ratos. Tenho quatro. São dois machos/meninos na gaiola de cima e duas fêmeas/idosas na gaiola de baixo. Quer saber? Eles (as) vivem...

Uma das idosas já passou por alguns procedimentos veterinários, sendo que um deles foi uma cirurgia para a extração de um tumor. Meses depois, apareceram mais dois tumores. Resolvi não mexer e deixar a "natureza tomar conta" (seria a minha escolha se estivesse no lugar dela). Remédios para driblar a dor (que, aparentemente, ela nem sente) e bola pra frente.

Apesar de todas as limitações da idade e da doença eu nunca a vi amuada, pelo contrário! Ela vive cada dia sem saber porque ou para que. Apenas vive, sem a perspectiva da morte, sem a obrigação de viver "cada dia como se fosse o último".

Lembro-me da minha cachorra, que até o último dia de sua vida tentou se levantar, sem saber que aquele dia era realmente o último...

Na real proximidade da morte, qualquer ser humano deixa de viver, desiste.

Quando eu morrer, quero morrer de repente, pra não morrer muito antes...

10.6.09

Olha que notícia!

"Cidade britânica quebra recorde mundial de pessoas vestidas de smurf"

Veja detalhes aqui


Qual a finalidade disso?