31.10.09

Tambores de Angola

No mundo onde a ignorância e o sofrimento abrem chagas no coração humano, o chamado da espiritualidade ecoa em nós de forma a rasgar o véu do preconceito espiritual. - João Cobú (Pai João)

Acabei de ler "Tambores de Angola", de Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio. Narrativa impressionante. É aquele tipo de livro que, quando você acaba de ler, já sente saudades, não quer colocá-lo na estante e fica ansioso em devorar outro do mesmo autor.

Ainda que tenha sido criticado por alguns espíritas na ocasião de sua publicação, o livro rompe as barreiras de certos preconceitos e nos propõe uma viagem magnífica pelos mistérios da espiritualidade. Nos leva ao terreiro do Vovó Catarina e Pai Damião, dando-nos uma lição de amor eterno e incondicional em linguagem simples, característica da Umbanda.

Inquietante e esclarecedor.
"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.

Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar."


(Rubem Alves)

Porque eu prefiro poesia à auto-ajuda...


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
...
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
...
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
...
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
...
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
...
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
...

(Trechos de "Tabacaria", de Álvaro de Campos)

Conselho de um Mestre Zen!


"... sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as conseqüências. "
(Osho)

De mudança...


Hoje não é 1° de janeiro, nem dia santo, nem meu aniversário. Misticamente falando, hoje não se encerra nenhum ciclo, nem um ano, nem é dia para promessas vãs. Mas hoje eu decidi mudar, repensar minha vida até agora e fazer projetos para o futuro. E meu principal projeto para o futuro é não fazer projetos...

Hoje eu decidi ficar comigo mesma, ler os livros que estão empoirando na estante, esperando serem lidos. Decidi escrever mais e falar menos. Fazer mais e pensar menos.

Hoje eu decidi que as flores ficam no meu quarto e merecem atenção. O jornal de ontem, as notícias de anteontem, passarão...

Um brinde!


Um brinde à todos os meus amigos, sem exceção. Aos que são, aos que foram e aos que serão!

Um brinde àqueles amigos "até de baixo d´água", aos que me fazem voar alto, aos que me mantém com os pés no chão.

Um brinde aos tagarelas e aos que falam pouco. Aos que me envolvem em suas conversas e aos que compartilham o meu silêncio.

Um brinde àqueles que me fazem sorrir, aos que me permitem chorar. Aos pseudo-terapeutas gratuitos que dividem a cerveja, o abraço e a mesa do bar.

Um brinde aos amigos conselheiros e aos que não tem nada a dizer. Aos que acreditam em destino e aos que acreditam em acaso.

Um brinde aos amigos que confiam em Deus. Um brinde aos amigos ateus.

Um brinde aos amigos que a vida me deu, aos que eu soube conservar e aos que eu esqueci em algum lugar.

Um brinde!

8.10.09

Estou emocionada

Acabo de saber que o vereador Juscelino Gadelha (PSDB) propôs o tombamento do sotaque da Mooca. Isso mesmo, o sotaque mooquense pode ser tombado como patrimônio histórico.

Mooquenses de plantão, vamos entrar para a história. Vejam a notícia e se emocionem também.

2.10.09

E por falar em Direito...

Ando absorvida pelo Direito. Estágio, faculdade, monografia à vista e outras coisas. Casos sérios! Mas, apenas para descontrair e preencher o grande espaço vazio por aqui, segue um e-mail que recebi outro dia... Adorei!

Aprenda Direito em 1 minuto

1- Princípio da iniciativa das partes - 'faz a sua que eu faço a minha'..

2 - Princípio da fungibilidade - 'só tem tu, vai tu mesmo' (parte da doutrina e da jurisprudência entende como sendo 'quem não tem cão caça com gato').

3 - Sucumbência - 'a casa caiu !!!', ' ou tambor girou pro seu lado'

4 - Legítima defesa - 'tomou, levou'.

5 - Legítima defesa de terceiro - 'deu no mano, leva na oreia'

6 - Legítima defesa putativa - 'foi mal'..

7 - Oposição - 'sai batido que o barato é meu'.

8 - Nomeação à autoria - 'vou cagoetar todo mundo'.

9 - Chamamento ao processo - 'o maluco ali também deve'.

10 - Assistência - 'então brother, é nóis.'

11 - Direito de apelar em liberdade - 'fui!' (parte da doutrina entende como 'só se for agora').

12 - Princípio do contraditório - 'agora é eu'.

13 - Revelia, preclusão, perempção, prescrição e decadência -'camarão que dorme a onda leva'

14 - Honorários advocatícios - 'cada um com seus pobremas'.

15 - Co-autoria, e litisconsórcio passivo - 'passarinho que acompanha morcego dá de cara com muro'

16 - Reconvenção - 'tá louco, mermão. A culpa é sua'.

17 - Comoriência - 'um pipoco pra dois' ou 'dois coelhos com uma paulada só'.

18 - Preparo - 'então..., deixa uma merrequinha aí.'

19 - Deserção - 'deixa quieto'.

20 - Recurso adesivo - 'vou no vácuo'.

21 - Sigilo profissional - 'na miúda, só entre a gente'.

22 - Estelionato - 'malandro é malandro, e mané é mané'..

23 - Falso testemunho - 'X nove...'.

24 - Reincidência - 'porra mermão, de novo?'.

25 - Investigação de paternidade - 'toma que o filho é teu'.

26 - Execução de alimentos - 'quem não chora não mama'.

27 - Res nullius - 'achado não é roubado'.

28 - De cujus - 'presunto'.

29 - Despejo coercitivo - 'sai batido'.

30 - Usucapião - 'tá dominado, tá tudo dominado'.


Tá, só tem sentido pra quem conhece a matéria...

18.9.09

Parabéns ao Ministro Humberto Martins - STJ

Decisão impede utilização de meios cruéis em sacrifício de animais

Decisão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determina que eliminação de animais em Centro de Controle de Zoonose não seja feita de modo cruel. Em situações extremas em que o sacrifício de animais seja imprescindível para proteger a saúde humana, deverão ser utilizados métodos que amenizem ou inibam o sofrimento dos animais.

O entendimento da Segunda Turma foi firmado em julgamento de recurso interposto pelo município de Belo Horizonte (MG), que recorreu ao STJ contra acórdãos do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O caso envolve o sacrifício de cães e gatos apreendidos por agentes públicos para o controle da população de animais de rua. O Centro de Controle de Zoonose atua com o objetivo de erradicar doenças como a raiva e a leishmaniose, que podem ser transmitidas a seres humanos.

O ministro relator Humberto Martins reconhece que, em situações extremas, como forma de proteger a vida humana, o sacrifício dos animais pode ser necessário. No entanto, conforme entendeu o TJMG em seus acórdãos, devem ser utilizados métodos que amenizem ou inibam o sofrimento dos animais, ficando a cargo da administração a escolha da forma pela qual o sacrifício deverá ser efetivado.

Humberto Martins chama a atenção para o limite dessa discricionariedade, ao se referir ao posicionamento do TJMG: "Brilhante foi o acórdão recorrido quando lembrou que não se poderá aceitar que, com base na discricionariedade, o administrador público realize práticas ilícitas", afirmou Humberto Martins.

No caso, Humberto Martins avalia que a utilização de gás asfixiante pelo Centro de Controle de Zoonose do município é medida de extrema crueldade, que implica violação do sistema normativo de proteção dos animais, não podendo ser justificada como exercício do dever discricionário do administrador público.

O município mineiro sustentou que o acórdão do TJMG, ao decretar que deve ser utilizado outro expediente para sacrificar cães e gatos vadios, como a injeção letal (entre outros que não causem dor ou sofrimento aos animais no instante da morte), teria violado de forma frontal o princípio da proibição da reformatio in pejus (impossibilidade de haver reforma da decisão para agravar a situação do réu).

Ao avaliar a alegação, Humberto Martins, considerou que não houve gravame maior ao município. Para o ministro, os acórdãos apenas esclareceram os métodos pelos quais a obrigação poderia ser cumprida. ?O comando proferido pelo tribunal de origem, em dois acórdãos, é bastante claro: deve o município, quando necessário, promover o sacrifício dos animais por meios não cruéis, o que afasta, desde logo, o método que vinha sendo utilizado no abate por gás asfixiante?, esclareceu o ministro.

Na avaliação do relator, o tribunal de origem apenas exemplificou a possibilidade da utilização da injeção letal, sem, contudo, determinar que essa seria a única maneira que atenderia ao comando da decisão. Ao contrário, o TJMG abriu espaço para outros meios, desde que não causassem dor ou sofrimento aos animais.

Entre sua argumentação, o município alegou ainda que, nos termos do artigo 1.263 do Código Civil, os animais recolhidos nas ruas - e não reclamados no Centro de Controle de Zoonose pelo dono, no prazo de 48 horas -, e os que são voluntariamente entregues na referida repartição pública, são considerados coisas abandonadas. Assim, a administração pública poderia dar-lhes a destinação que achar conveniente.

Ao avaliar a argumentação do município, o ministro Humberto Martins apontou dois equívocos: primeiro, considerar os animais como coisas, de modo a sofrerem a influência da norma contida no artigo 1.263 do CC; segundo, entender que a administração pública possui discricionariedade ilimitada para dar fim aos animais da forma como lhe convier.

A tese recursal, na avaliação de Humberto Martins, colide não apenas com tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Afronta, ainda, a Constituição Federal, artigo 225, parágrafo 1º, VII; o Decreto Federal n. 24.645/34, em seus artigos 1° e 3°, I e VI; e a Lei n. 9.605/98, artigo 32.

Recomendação da OMS

Muitos municípios buscam o controle de zoonoses e da população de animais, adotando, para tal, o método da captura e de eliminação. Tal prática era recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em seu Informe Técnico n. 6, de 1973.

Após a aplicação desse método em vários países em desenvolvimento, a OMS concluiu ser ele ineficaz, enunciando que não há prova alguma de que a eliminação de cães tenha gerado um impacto significativo na propagação de zoonoses ou na densidade das populações caninas. A renovação dessa população é rápida e a sobrevivência se sobrepõe facilmente à sua eliminação.

Por essas razões, desde a edição de seu 8º Informe Técnico de 1992, a OMS preconiza a educação da comunidade e o controle de natalidade de cães e gatos, anunciando que todo programa de combate a zoonoses deve contemplar o controle da população canina como elemento básico, ao lado da vigilância epidemiológica e da imunização.

Ocorre, porém, que administrações públicas alegam a falta de recursos públicos para adotar medidas como vacinação, vermifugação e esterilização de cães e gatos de rua. A eliminação dos animais aprendidos acaba ocorrendo por meio de câmara de gás.

Processos: Resp 1115916

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

(Notícia copiada, na íntegra, do site da AASP - Associação dos Advogados de São Paulo)

10.9.09

O "quem sou eu" do orkut.

Só para blog não cair no esquecimento, vou postar a minha atualização do "quem sou eu" do orkut. Juro que tento algo melhor em breve.



Quem sou eu:

Uma mistura daquilo que aprendi com aquilo que acredito...
E eu aprendi e acredito que:

- As pessoas não são boas nem ruins, são apenas pessoas, seres falíveis e em evolução... e nem sempre a palavra “evolução” está atrelada à idéia de melhoria.

- Essas mesmas pessoas vêm e vão e, por mais que isso pareça ruim, não é. Outras virão.

- Não se pode humanizar um animal, muito menos escravizá-lo. Eles são seres diferentes de nós e precisam ser respeitados em sua irracionalidade, assim como respeitamos (ou tentamos) respeitar os humanos “irracionais”.

- “Tudo muda o tempo todo no mundo”* e não dá pra ter a ilusão de que as coisas boas não são transitórias, muito menos se desesperar se algo ruim acontecer. Tudo passa, mesmo que volte depois.

- Ser livre é muito bom, mas “estar preso por vontade”** é melhor ainda. Ame, ame, ame!

- Nem sempre as pessoas agirão da forma esperada, ou mesmo adequada, mas isso não quer dizer que elas sejam ruins... Mas se forem, o problemas é delas. Danem-se.

- Posso não ter tanto dinheiro quanto eu gostaria, mas é sempre melhor tê-lo como fruto do trabalho digno e ético. Mas eu ainda vou ganhar na loteria... Ah, se vou...

- Que a vida só é dura pra quem é mole, ainda que eu odeie jargões.

- Amigos são imprescindíveis, mas só um inimigo é capaz de dizer certas coisas que precisamos ouvir. Inimigos “rules”.

- Um fim de semana na companhia de um bom livro pode ser melhor que qualquer balada... Mas eu não sou “nerd”!

- Meus animais são companheiros inseparáveis e esse amor é gratuito e incondicional, mesmo quando eles fogem de mim com medo do super-abraço-apertado.

- A felicidade pode estar em lugares que nem imaginamos, assim como as chaves do carro quando estamos atrasados.

- Não se pode admirar uma pessoa por sua posição social ou cor da pele. As posições mudam e pele é tudo pele...
__________
* Trecho da música "Como uma onda", de Lulu Santos e Nelson Mota.
** Trecho da poesia de Luís de Camões.