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15.1.10

A quem interessar possa.

Um dia, neste mundo, eu chorei mais do que pensei que alguém pudesse chorar. E pedi ajuda aos anjos, aos santos e a quem pudesse me escutar. Acendi uma vela para Deus, para o Diabo, talvez.

Mas depois eu percebi que as minhas mazelas não são maiores que as mazelas humanas, passando pelo engano, erros e mentiras que fazem qualquer ser humano vibrar de ódio e dor em seus universos particulares, até as grandes catástofres que sensibilizam mesmo sem sensibilizar (hipócritas!). A dor do mundo era minha, mas a minha dor não era maior que as dores do mundo, ainda que eu pensasse que sim.

E, falando em mundo, certa vez houve a esperança do fim. Nenhuma teoria verosímil, apenas mais uma justificativa para a inércia permanente. Mas o mundo não acabou e as teorias perderam credibilidade, as igrejas perderam fiéis, os intelectuais deram ares de "eu avisei" e os pobres de espírito protelaram a decisão divina de extinção da raça humana. (Pobres seres que se sentem o centro de todo Universo... E onde seria o centro do infinito?).

Certo é (e ninguém parece ter percebido) que o mundo começa e acaba a cada dia e, às vezes, meu amigo, eu estou no grupo dos que começam, em outras, fico ao lado dos que esperam pelo fim. Maldita dualidade! Dualidade esta inerente aos seres conscientes, cientes de suas próprias limitações e do movimento permanente de tudo. Quem é tão certo de seus conceitos, dono de suas verdades, imutável, não pode ser consciente (mas esta é uma opinião minha e que talvez não deva ser levada em consideração).

Mas é isso, por aqui finalizo, pois não tenho a intenção de assustá-lo caso pense em vir nos visitar. Até porque, no fim de tudo, o mundo se atura e finge que se ajuda, o que torna tudo um pouco menos insuportável.

Até breve!

Ps: Espero que entenda alguns conceitos humanos, a começar por Deus e Diabo, desta forma, fica mais fácil entender o motivo de quase tudo.

Pps: Segue a foto de nosso planeta. De longe, ele é lindo... Tinha tudo pra dar certo!



14.1.10

Memórias


"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto" (Fernando Pessoa)




Inevitável pensar no passado, ainda que não haja nenhuma intenção específica para isso, as memórias simplesmente chegam sem controle e não há nada que se possa fazer.

E o que passou muitas vezes se torna um mistério para nós mesmos... Como agi daquela forma? Era eu mesma naquela situação? O passado se torna tão estranho que não nos reconhecemos nele.

Não vou dizer que gostaria de viver o passado com a maturidade que tenho hoje, clichê demais. Até porque, o que sou hoje é obra exclusiva de tudo que vivi somada a alguma coisa de divino, sei lá. Em tempo, acredito que a maturidade se dá com a atenção plena, em todos os sentidos, em todos os momentos vividos.

Não sei em que momento mudei, nem porque. Duvido que o sofrimento seja a causa, primeiro porque não me considero uma pessoa sofrida, ainda que tenha passado por situações ruins (como qualquer outra pessoa), segundo, porque senti minha vida mudar de verdade a partir do momento em que comecei a me sentir verdadeiramente feliz comigo mesma, sem nenhum motivo especial. Quando isso aconteceu? Não sei precisar... Sei apenas que aconteceu e essa sensação continua viva. Aquela felicidade inventada, acomodada ou até mesmo criada, não existe mais.

Ainda que todas as fases sejam transitórias, o que sinto hoje é mais importante que todo o resto e sei também que um dia isso será bobagem, porque a história continua, mas não o texto.

28.12.09

Metades

...
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
...
(Metade - Osvaldo Montenegro)


Tudo depende de mim, das minhas escolhas, essa é uma das únicas certezas que tenho. Se algo não saiu conforme planejado, ainda me resta a possibilidade de escolher qual vai ser a minha atitude diante dos planos frustrados. Entender e colocar isso em prática é difícil e só se consegue com o amadurecimento. Crescer é preciso e, infelizmente, esse crescimento está atrelado às dificuldades já vividas.

É preciso entender que somos feitos de várias metades e que nada na vida nos é dado por inteiro pois, se assim fosse, certamente nem sempre se abririam novas possibilidades. Ser inteiro, completo, implicaria ser único e talvez imutável. Mas somos feitos de metades em busca de algo que nos faça sentir inteiros.

Somos metade paixão e metade desdém. A transitoriedade da vida está intimamente ligada à metade dominante no momento de fazer uma escolha.

Somos metade razão e metade sentimento. Somos seres humanos, incompletos, passíveis de erros e merecedores do perdão. Somos pequenas unidades de carbono com incalculável número de átomos em turbilhão.

Somos metade fantasia e metade realidade. Sonhamos com o passado, com o presente e com o futuro. Nos enganamos e enganamos os outros. Fazemos da vida pequenos lagos de flores. Tentamos mostrar aos outros nossa alegria e escondemos nossas mazelas.

Somos metade felicidade e metade sofrimento, não importa qual das duas metades se sobreponha em determinado momento, essas metades se alternam quando a gente menos espera.

Somos metade sensatez e metade loucura, metade liberdade e metade censura, nem água, nem vinho.

Somos a eterna disputa entre o bem e o mal.

20.12.09

Aquela noite dele...


Foi naquela noite fria de verão que a minha vida mudou, num lugar pouco comum para nós dois, numa condição pouco comum para qualquer um. Aqueles olhos perdidos encontraram os meus, perdidos, imersos em sonhos que ninguém nunca saberia, apenas ela.

A diferença entre nós dois tornou tudo mais fácil. Eu estava resistente, mas cheio de amor. Ela, feliz, sorria fingindo esconder os seus medos. Eu, meio de lado, deslocado, quase me escondia. Ela conversava com todos, dançava e ria. Ela tinha samba no pé, eu sempre fui rock n´roll. Eu segurava uma garrafa de água, sem gás e sem gelo. Ela bebia caipirinha, cerveja e tequila.

Fechei os olhos e pensei por um momento. Nada ao meu favor. Eu estava sozinho, ela, eu não sei, mas não parecia se importar. Conversava e envolvia o ambiente como se o mundo fosse dela, andava entre as pessoas como se todos fossem dela. E eu a olhava, imaginava, como se eu fosse dela.

E os olhos dela se cruzaram novamente com os meus (que já eram dela também), ela me sorriu e eu a chamei para dançar (bobagem, eu nem sei dançar). Ela aceitou, eu estremeci.

Alguns minutos daquela dança e eu percebi: aquele sorriso não era meu, nem era dela. Ela não era dona de si mesma, seu coração estava em outro lugar... Talvez perdido por alguém que não a conhecia, não como eu, sangrando por alguém que não era seu.

E como eu me acostumei a não lutar, nem o nome dela eu perguntei...

6.12.09

Sem título para o momento.

"Agora preciso de tua mão,
não para que eu não tenha medo,
mas para que tu não tenhas medo.
Sei que acreditar em tudo isso será,
no começo, a tua grande solidão.
Mas chegará o instante em que me darás a mão,
não mais por solidão, mas como eu agora:
Por amor."
(Clarice Lispector)
 
   
Eu queria ter vivido tudo aquilo de forma mais intensa, mas o medo de um passado que não existia mais me aprisionou. Hoje tenho a sensação de que tudo aconteceu pela metade, eu fui metade, não me dei chance de ser inteira. Você, eu não sei...

Pensei conhecer um pouco de mim, um pouco de você. Te contei a minha história. Exagerei. Era uma espécie de prova, sua chance de fugir... Mas você não fugiu, não naquele momento. Apostou. Eu dobrei a aposta. Você, eu não sei...

No momento errado tudo mudou e eu me senti completa. Me despi de meus medos e inseguranças, ainda que alguma coisa dentro de mim pedisse para eu ter cuidado. Não ouvi. Queria ser inteira, arriscar, fazer valer a pena. Você, eu não sei...

Te contei meus medos mais bobos, da boca de lobo, do lago, da ponte próxima ao barco. Te contei meus medos da vida, do futuro (,) da gente. Te contei quase tudo que podia. Você, eu não sei...

Mas os medos precisam ser superados. Não tenho mais medo do lago, nem da ponte próxima ao barco (das bocas de lobo, talvez!). Não tenho mais medo da vida, do futuro (da gente, sim!). Não tenho mais medo de ser inteira ou ser metade de uma outra metade. Você, eu não sei...

E um dia, perto do lago, na ponte, aquela próxima ao barco, eu estarei. Você, eu não sei...

31.10.09

De mudança...


Hoje não é 1° de janeiro, nem dia santo, nem meu aniversário. Misticamente falando, hoje não se encerra nenhum ciclo, nem um ano, nem é dia para promessas vãs. Mas hoje eu decidi mudar, repensar minha vida até agora e fazer projetos para o futuro. E meu principal projeto para o futuro é não fazer projetos...

Hoje eu decidi ficar comigo mesma, ler os livros que estão empoirando na estante, esperando serem lidos. Decidi escrever mais e falar menos. Fazer mais e pensar menos.

Hoje eu decidi que as flores ficam no meu quarto e merecem atenção. O jornal de ontem, as notícias de anteontem, passarão...

Um brinde!


Um brinde à todos os meus amigos, sem exceção. Aos que são, aos que foram e aos que serão!

Um brinde àqueles amigos "até de baixo d´água", aos que me fazem voar alto, aos que me mantém com os pés no chão.

Um brinde aos tagarelas e aos que falam pouco. Aos que me envolvem em suas conversas e aos que compartilham o meu silêncio.

Um brinde àqueles que me fazem sorrir, aos que me permitem chorar. Aos pseudo-terapeutas gratuitos que dividem a cerveja, o abraço e a mesa do bar.

Um brinde aos amigos conselheiros e aos que não tem nada a dizer. Aos que acreditam em destino e aos que acreditam em acaso.

Um brinde aos amigos que confiam em Deus. Um brinde aos amigos ateus.

Um brinde aos amigos que a vida me deu, aos que eu soube conservar e aos que eu esqueci em algum lugar.

Um brinde!

10.9.09

O "quem sou eu" do orkut.

Só para blog não cair no esquecimento, vou postar a minha atualização do "quem sou eu" do orkut. Juro que tento algo melhor em breve.



Quem sou eu:

Uma mistura daquilo que aprendi com aquilo que acredito...
E eu aprendi e acredito que:

- As pessoas não são boas nem ruins, são apenas pessoas, seres falíveis e em evolução... e nem sempre a palavra “evolução” está atrelada à idéia de melhoria.

- Essas mesmas pessoas vêm e vão e, por mais que isso pareça ruim, não é. Outras virão.

- Não se pode humanizar um animal, muito menos escravizá-lo. Eles são seres diferentes de nós e precisam ser respeitados em sua irracionalidade, assim como respeitamos (ou tentamos) respeitar os humanos “irracionais”.

- “Tudo muda o tempo todo no mundo”* e não dá pra ter a ilusão de que as coisas boas não são transitórias, muito menos se desesperar se algo ruim acontecer. Tudo passa, mesmo que volte depois.

- Ser livre é muito bom, mas “estar preso por vontade”** é melhor ainda. Ame, ame, ame!

- Nem sempre as pessoas agirão da forma esperada, ou mesmo adequada, mas isso não quer dizer que elas sejam ruins... Mas se forem, o problemas é delas. Danem-se.

- Posso não ter tanto dinheiro quanto eu gostaria, mas é sempre melhor tê-lo como fruto do trabalho digno e ético. Mas eu ainda vou ganhar na loteria... Ah, se vou...

- Que a vida só é dura pra quem é mole, ainda que eu odeie jargões.

- Amigos são imprescindíveis, mas só um inimigo é capaz de dizer certas coisas que precisamos ouvir. Inimigos “rules”.

- Um fim de semana na companhia de um bom livro pode ser melhor que qualquer balada... Mas eu não sou “nerd”!

- Meus animais são companheiros inseparáveis e esse amor é gratuito e incondicional, mesmo quando eles fogem de mim com medo do super-abraço-apertado.

- A felicidade pode estar em lugares que nem imaginamos, assim como as chaves do carro quando estamos atrasados.

- Não se pode admirar uma pessoa por sua posição social ou cor da pele. As posições mudam e pele é tudo pele...
__________
* Trecho da música "Como uma onda", de Lulu Santos e Nelson Mota.
** Trecho da poesia de Luís de Camões.

7.8.09

Alguém me "soprou" hoje de manhã:
.
"A felicidade está no vazio de algumas coisas que por ora julgamos importantes, mas que mais tarde descobrimos que não são..."
.
Só não entendi se foi pra mim, pra ele ou para os dois!

1.8.09

O amor que nunca morre

Bom então é isso, meu relacionamento de 5 anos parece que chegou ao fim... Ou pelo menos à fase do "tempo". Seja como for...

Estou em pedaços, sofrendo bastante. É nessas horas que percebemos que sem pai, mãe e amigos não somos nada. Parece que cada um quer carregar uma parte de você, tirar um pouquinho da sua dor.

Pra ter uma idéia, no dia do rompimento (29/07), chorei muito no colo de papai e mamãe. Minha mão chegou a dizer que daria um braço pra não ter que me ver chorar. É claro que eu jamais permitiria que ela cortasse um braço só para não me ver sofrer, mas a frase me emocionou bastante... Ah, as mães!

Meu pai se sentou ao meu lado e disse tanta coisa, mas nada comparado ao que ele fez hoje, ao me ver chorar. Sentou ao meu lado e ficou em silêncio por muitos minutos. Ah, os pais... e a profundidade do silêncio!

Uma amiga disse que gostaria de tirar essa dor de mim, mas infelizmente não podia. Mas ela podia me dar seus ouvidos, seus ombros, seu coração. Isso já é mais do que suficiente pra mim. Ah, as amigas... e a sensibilidade delas!

Não estava a fim de sair, mas um amigo me ligou me chamando pra ir à casa dele. Ficamos conversando um tempão. Ele me emprestou, além do ombro, um livro sobre budismo. Ele me explicou como isso o ajudou quando passou por uma fase parecida. Lembramos de histórias antigas, de quando ele sofreu também, de como sempre estamos unidos nas alegrias e tristeza... Ah, os amigos... e a incansável tentativa de fazer o deprê sorrir!

Obrigada!

27.7.09

Da minha tristeza
Eu faço poesia
Prefiro ser feliz
A ser poetisa
(Detesto minha poesia)
E se amanhã eu me pego sozinha
Sem descer para jantar
Sem apetite, sem dormir
Sem sonhar
Meio humana
Meio trágica
Meio diazepam
Resgato algo de novo (de novo)
E me levo pra dançar...
.
(Se não há créditos, é meu.)