13.7.10

Eu tenho medo do Jostein Gaarder

É sério!

Fazia um tempo que queria escrever um posto sobre livros, mas não tinha surgido a oportunidade.

Lembra quando eu comprei o livro Amor em tempos de cólera, do Gabriel Garcia Marquez? Pois bem a ideia era destruir um certo bloqueio que tenho com relação ao autor. Isso porque desde adolescente eu tento ler Cem anos de solidão, mas acho tão chato que não consigo sair das primeiras páginas.

E eu já tentei diversas vezes, porque há quem diga que "às vezes não é o momento certo, por isso a leitura não flui". Eu acredito nisso (pelo menos em partes), por isso eu o peguei diversas vezes para ler. Em todas as vezes eu achei chato. Em todas as vezes não cheguei nem na metade. Quem sabe um dia...

Mas eu ia falando do Amor em tempos de cólera que eu comprei no fim do ano... Comecei a ler logo que comprei. Desisti. Comecei novamente uns dois meses depois. Desisti. Comecei há dez dias atrás e estava começando a achar interessante (ó o progresso!), ainda que a leitura estivesse evoluindo a passos de tartaruga porque: a) ando muito cansada; b) ler quando estou cansada me dá mais sono ainda; c) a história é monótona e dá sono; d) todas as alternativas anteriores. Sim, D.

Agora, os (dois) leitores do blog devem estar pensando: mas o que tem a ver o Jostein Gaarder com isso tudo? Bom, é agora, no meio do tédio criado por Gabriel Garcia Marquez que ele entra, ou melhor, reaparece na minha vida.


Bu!

Tudo começou com O mundo de Sofia. Olha só:

Comecei a ler o livro ainda adolescente, com uns 13 anos ou 14 anos, se não me engano. Aquela hitória de cartas misteriosas entregues diretamente na casa de Sofia, sem selos, sem nada, com o canto molhado... Enfim, esse mistério me deu um medo inexplicável e parei de ler. Tinha mais medo da história das cartas para Sofia do que de qualquer filme de terror que eu me lembre no momento. Poxa, a menina estava sendo perseguida por algum tipo de pedófilo-filho-de-chocadeira? Não sabia. Não queria saber. Fechei o livro e não pensei mais nele por um bom tempo.

Com uns 22 anos, já na faculdade, eu vi o livro na biblioteca e pensei que ele não poderia mais me assustar, afinal, eu já era uma "mocinha". Levei o livro pra casa, O mundo de Sofia.

Eu até era uma "mocinha" na época, mas uma mocinha medrosa que também não conseguiu ler o livro até o fim. Ainda que tenha descartado a ideia de pedofilia, tudo ainda era muito estranho.

Eis que em 2010 um fã de Jostein Gaarder entrou na minha vida e se tornou meu namorado. E lá fui eu, tentar ler O mundo de Sofia mais uma vez. Se eu consegui? Claro que não. Ainda não, mas logo eu termino... (Dei uma parada para ler Amor em tempos de cólera e o resultado disso vocês já sabem).

Na último fim de semana, o Edu-namorado-fã-de-Jostein-Gaarder apareceu na minha casa com um livro chamado A biblioteca mágica de Bibbi Bokken (preciso contar quem é um dos autores?), que eu até já tinha dado uma olhada certa vez. Tinha achado um livro "bonitinho", "delicado", baseado em cartas trocadas por dois primos pré-adolescentes, tudo fofo, né?

Fofo uma ova!

Assim como O mundo de Sofia, A biblioteca mágica de Bibbi Bokken induz a pobre leitora medrosa ao erro. Dada a delicadeza dos títulos, tudo faz pensar que são livros infantis, mas não são.

O que era um pedófilo-filho-de-chocadeira, agora se tornou uma psicopata-assustadora-de-crianças-comedora-de-livros. Ou talvez Bibbi Bokken seja o pedófilo-filho-de-chocadeira que envia as cartas para Sofia?

Chega, tô lendo muito Jostein Gaarder. E tenho muito medo dele.

18.6.10

Teoria dos Cheiros

Aloha!

Estava meio afastada do blog pois estava envolvida em projetos de ordem profissional e acadêmica.

Ok. Quem eu quero enganar? O abandono do blog foi vagabundagem mesmo...

Mas, estava mesmo trabalhando em algumas teorias e queria compartilhar.

Primeira Teoria: Teoria dos Cheiros

Está comprovado cientificamente (entenda "cientificamente" como "contar aos seus amigos e ter como resposta: putz, verdade!") que os cheiros ruins ficam, os bons, dissipam.

E você pode comprovar a teoria entrando numa pastelaria. Sim, ainda que seja apenas para pedir uma informação ou comprar um bilhete de Zona Azul. O cheiro de fritura ficará no seu cabelo e na sua roupa até o seu próximo banho com cloro e soda cáustica, talvez tenha até que queimar as roupas.

Esse cheiro de fritura te acompanhará o dia todo, irritará seu fígado, te deixará com vergonha de cumprimentar alguém de perto mas, o cheiro daquele perfume ma-ra-vi-lho-so que você adora voa com o vento e 15 minutos após passá-lo você nem sentirá mais o cheiro. É ou não é?




Em breve outras teorias igualmente importantes!

1.6.10

Dinheiro mal gasto!

Dizem por aí que dinheiro que vem fácil, vai fácil.

Me lembrei hoje de uma vez que fui com meu irmão e minhas primas ao Shopping Tatuapé, na época em que eu ainda morava em São Paulo, uns 13 anos atrás.

Ao sair do carro, no estacionamento, achei 30 reais, 3 notas de 10 dobradinhas ao lado do carro. Que sorte! Naquela época 30 reais ainda era "bastante" e como achado não é roubado...

Pois bem, entrei no shopping e acabei comprando, com aquele dinheiro, um CD do Paulo Ricardo. Dinheirinho mal gasto...

Não sei porque me lembrei disso hoje, muito menos porque decidi compartilhar...

17.5.10

Heaven "or" Hell?

Acabou de ler uma notícia na internet e ainda estou anestesiada. Ronnie James Dio morreu neste domingo, aos 67 anos.

Um dos maiores nomes do heavy metal, que atualmente era vocalista da banda Heaven an Hell, nos deixou após alguns meses de luta contra um câncer de estômago, descoberto em novembro passado.

Mas não me cabe relembrar a sua história, muito menos tecer comentários sobre sua carreia. Estou emocionada, triste, com uma sensação de vazio e arrependimento que só o tempo será capaz de apagar. Pela primeira vez a morte de um famoso chega aos meus olhos em forma de lágrimas...

Dio esteve no Brasil em maio do ano passado e eu não fui ao show. Não quero falar sobre os motivos, mas aquela e, agora sei, última oportunidade que tive de ver este monstro do rock ao vivo, eu perdi. Isso explica a sensação de arrependimento.

Eu me lembro como se fosse hoje o dia em que comecei a escutar rock n´roll, ainda criança me encantei pela música Patience do Guns n´ Roses e aprendi assobiar acompanhando o Axl.

Mais tarde vieram Kiss, Iron, Ozzy, Led, Judas... E vieram Robert Plant, James Heitfeld, Fredie Mercury... E um dia eu percebi que Ronnie James Dio, independente da banda, era o melhor! E isso explica a tristeza que me salta aos olhos...

Coincidência ou não, estava ouvindo Fool´s Overture, do Supertramp, quando li a notícia de sua morte... Oh Everyone was laughing up until the day he died... E isso explica a emoção...

Um dos meus grandes ídolos se foi e sua despedida não terá as pompas outrora concedidas à Michael Jackson, por exemplo, mas não importa, o luto não pode ser um acontecimento midiático. Cada um sente a seu modo o que perdeu. E talvez esta seja a sensação de vazio...

Wendy Dio, sua esposa e empresária, declarou: Today my heart is broken, Ronnie passed away at 7:45am 16th May.



Neste momento, vários corações metaleiros encontram-se quebrados. A sua perda é nossa também, Wendy!

My friends, we're not alone
He waits in silence to lead us all home

14.5.10

Brigit vai às compras!

Acredito que quase todos os moradores de Indaiatuba conheçam a Brigit.

É um homem que se veste como "mulher", roupas extremamente curtas e justas, mas não é simplesmente um travesti. Brigit transcendeu todas as classificações conhecidas pela psicologia, ela é única!

Seu andar é inconfundível, sempre rápido e com os braços levemente dobrados e com um movimento característico a cada passo.

Lembro-me de uma vez que a encontrei num ônibus, vindo de Campinas para Indaiatuba. Ela estava irritadíssima com o atraso do ônibus e por conta disso resolveu que todos os passageiros eram culpados. Brigit gritou com o motorista, com o cobrador, procurou apoio de outros passageiros (sem resultado), até que resolveu fazer comentários preconceituosos contra dois negros que estavam no ônibus. Fiquei furiosa e meu pensamento desceu para as cordas vocais e saltou da minha boca... Não fosse a intervenção de um passageiro, Brigit teria me quebrado a cara.

Mas ela não guarda mágoas, aliás, acredito que ela nem se lembra das pessoas.

Tempos depois, acompanhando uma pessoa no hospital, tive a felicidade de encontrar a figura na sala de espera. Ela aguardava o atendimento e a consequente solução de uma cólica menstrual que a acometia. Estava também esperando o namorado que viria de Curitiba para buscá-la. Claro que ela puxou assunto comigo. Claro que eu respondia monossilabicamente. Claro que ela nem se importou e continuou falando horrores.

Esta semana foi a vez de encontrá-la fazendo compras.

Cheguei na loja que costumo ir quando preciso comprar algo e ouvi uma voz conhecida. Alto nível de decibéis. Ela estava lá, verificando os modelos recém-chegados da loja.

Algumas vendedoras riam escondido (sim, porque pra rir na cara dela é preciso muita coragem, ela é quase uma mulher, mas briga como homem), outras fngiam que aquilo não estava acontecendo.

Aparentemente Brigit não gostou da coleção outono-inverno e, pra falar a verdade, eu também não, por motivos diferentes, claro.

Eu tenho muito frio, preciso de roupas mais pesadas. Brigit, por sua vez, achou a coleção muito "fechada", sem "decotes". E com uma loja daquelas não tinha uma mini-saia amarela?

Brigit se foi, frustrada.

Logo depois eu a avistei saindo de uma loja de lingeries gritando. Não sei se a expulsaram, se alguma coisa a ofendeu ou se simplesmente não estava achando a mini-saia amarela em lugar nenhum.

Brigit é um mito indaiatubano.

Minhas sinceras homenagens à ela.

10.5.10

Manowar - O show que não aconteceu!

Eu não vou tentar fazer uma resenha do show, deixo isso para os profissionais capacitados e muito mais criativos e talentosos que eu, como este aqui, por exemplo. O que vou escrever está mais para um desabafo que para um trabalho jornalístico.

Na última sexta-feira, 07.05, eu, assim como centenas de fãs da banda Manowar partimos para o show que ocorreria no Credicard Hall-SP. Doze anos depois da última visita, "The Kings of Metal" estavam de volta...

Confesso que comecei a contagem regressiva para o show assim que peguei meu ingresso na Ticketmaster, mas meu coração começou a acelerar mesmo na segunda-feira de manhã, quando recebi o e-mail de um amigo empolgadíssimo com o show. Sim, faltavam 4 dias...

Na sexta-feira estávamos lá, no horário e local combinados para assistir o que deveria ser o "show da vida" de muitos fãs que ali estavam... Mas não aconteceu.

Assim, os caras estavam lá, o show começou um pouco atrasado, mas tudo bem, era Manowar!

Eis que o show foi acontecendo e a esperança de ouvir os grandes clássicos da banda foi se esvaindo a cada música.

O show estava um porre. Joey DeMaio teve seu momento stand-up sem muito sucesso (um amigo até dormiu) e o setlist não estava agradando.

Achei que a chata era eu, mas comecei a reparar na platéia... O que era para ser um mega show com fãs delirando era agora uma grande casa com centenas de pessoas paradas olhando para o palco com uma expressão de extrema decepção.

A minha certeza do descontentamento geral se deu quando, quase no final do show, ouvi um cara atrás de mim gritar: "Manowar, vai tomar no cu!". Eu apenas sorri e tentei procurar o autor da frase para expressar minha solidariedade, ainda que fosse com um olhar...

Fui pegar uma cerveja, tentar afogar um pouco as mágoas, e no bar o comentário era geral: "E os grandes clássicos da banda?", "Não vão tocar Battle Hymn, Blood of my enemies, Brothers of metal?????". Não!

Saí de lá com uma sensação estranha, meio órfã (e olha que eu nem me considero fã "doente" da banda!). Ouvi comentários de fãs rasgando camiseta da banda na calçada, gente xingando e querendo o dinheiro de volta...

Pela primeira vez assisti a um show e tive a sensação de sair dele gostando menos da banda.

Manowar decepcionou, e aqueles fãs que esperaram 12 anos pra ver um PUTA SHOW, continuam esperando... Quem sabe na próxima década... Quem for me conta!

Ei, Manowar, vai tomar no cu!

12.4.10

O que eu preciso e o que eu quero!

Eu preciso falar para duas pessoas que seus posts às vezes me servem de inspiração para algo que quero escrever, mas tenho preguiça de pensar.

Eu quero só roubar a ideia de alguém que eu quero rever, colocar o papo em dia e de alguém que um dia eu quero conhecer, talvez numa mesa de bar, longe do desktop.

Mas o que eu quero além disso? O que eu preciso?

Eu quero mais dinheiro e menos trabalho.

Eu preciso de mais horas no fim do dia (mas eu quero menos cansaço... pode?).

Eu quero feriado prolongado toda semana, mais tempo para visitar os amigos.

Eu preciso de oportunidade para ficar sozinha, em silêncio, e tentar descobrir quem eu sou (mas, confesso, eu nem quero tanto assim!).

Eu quero beber marguerita até virar mexicana... e me entupir de guaca-mole, mas eu nem gosto de abacate...

Eu preciso criar o hábito de tomar dois litros de água por dia (hábito sem glamour).

Eu quero acreditar nas pessoas, nas palavras, nos amores.

Eu preciso ter o pé atrás com tudo (prudência e caldo de galinha fazem mal a ninguém).

Eu quero sempre mais, mas o que eu preciso talvez seja bem menos do que eu quero...

1.4.10

Dois celulares e o Law & Order

"No sistema judiciário criminal, crimes de caráter sexual são considerados especialmente hediondos. Na cidade de Nova Iorque, os dedicados detetives que investigam esses terríveis delitos são membros de um esquadrão de elite, conhecido como a Unidade de Vítimas Especiais. Estas são suas histórias."

Só para introdução do assunto, outro dia tinha uma pedra (pontuda) no meio do meu caminho e, sortuda que sou, a pedra rasgou (a palavra é essa mesmo) o meu pneu.

Foi nesse momento, sozinha e sem créditos no celular que eu decidi que tinha que ter um plano pós-pago.

Como meu pai não usa muito o dele, me propôs que eu ficasse com a sua linha. Ok. Deste modo fiquei com o celular dele e o meu. Estou mantendo os dois ainda porque 1) ainda não passei para todo mundo o número novo; 2) alguns amigos já tem o número novo mas ainda insistem em ligar no antigo e 3) ainda tenho alguns bônus do pré-pago para usar.

Na terça-feira cheguei do escritório 21h20, assiti Law & Order SVU até 24h00 e fui dormir. Achei que tinha desligado o celular novo. Achei que apenas o antigo continuava ligado com a função de me acordar no dia seguinte... Mas eu estava enganada...

Sabe aquele estágio do sono em que vc não está sonhando ainda mas já está vivendo absurdos inconscientes?

Enfim, estava sonhando que eu era uma agente do Law & Order SVU e, ao lado do Detetive Elliot (morram de inveja, girls), estava desvendando um grande mistério de... uma torneira pingando!

Eis que no meio da investigação acerca da referida torneira, ouço uma musiquinha (pin-pin), o que fez a minha consciência quase retornar e pensar "mas essa não é o toque do Law & Order"!

Acordei, peguei o celular que tinha ficado ligado para despertar e nada. O "pin-pin" devia ter surgido na minha cabeça pela mesma razão que Elliot estudava uma torneira, ou seja, eu não sei porque.

Voltei a dormir (assim, na verdade eu nem cheguei a acordar direito) e voltei mais ou menos para o mesmo sonho. A torneira estava lá, pingando, algumas pessoas estavam em volta estudando o fato mas o Elliot tinha sumido. Fiquei puta, mas não vou discorrer sobre isso. Apenas imaginem a frustração de uma pessoa que sonha em conhecer o Detetive Elliot desde os tempos em que ele era o bandido Keller, em OZ e, de repente, por causa de um "pin-pin", ele some! Humpf.

De repente, outro "pin-pin", que considerei ser parte do sonho e continuei dormindo (sim, meus sonhos são meio conscientes). Mas depois veio outro.

Cansei, afinal de contas o toque do Law & Order não poderia ser reduzido a um "pin-pin". Além disso, estávamos num caso sério com a torneira. Que imbecil atrapalharia o esquadrão de elite em sua importante missão??? (eu ainda não sei se a torneira tinha sido molestada mesmo).

Acordei, acendi a luz e fui investigar. Fechei a torneira do banheiro que estava pingando (mardita!), abri o celular que estava a postos para despertar no dia seguinte, nada, abri minha bolsa, peguei o celular novo (que deveria estar desligado) e lá estava "uma mensagem recebida", exatamente 24h38.

A mensagem era de um amigo agradecendo a mensagem que eu tinha lhe enviado às 10h00 (sim, da manhã) cumprimentando pelo seu aniversário.

Eu tinha desligado o celular, tenho certeza disso. Será que ele ligou sozinho? Será que Elliot precisou fazer uma ligação antes de ir embora e acabou deixando ligado? Será que os celulares ficaram complexos demais? Talvez este seja um caso para o Detetive Kevin Bernard...

12.3.10

Dos equipamentos sindicalistas

Não bastasse todos os percalços normais da profissão, ainda tenho que conviver com certas pérolas diárias. Ontem a situação beirou o ridículo. Sério, foi indigno.

Vamos aos fatos:

Cheguei no escritório, quarta-feira, dia de folga dos meus neurônios pró-ativos (por alguma razão obscura, só os neurônios preguiçosos "trabalham" às quartas). Até aí, tudo bem, já convivo com isso há vários anos, ainda que desconheça algum fundamento científico para isso.

A rede também não estava funcionando. Ou seja, os três computadores não se comunicavam sendo que, em um deles estão todos os nossos arquivos e é muuuito lento, o outro, que fica na outra sala, só funcionava internet e o notebook, que é o que tem melhor desempenho, não servia pra m... nenhuma naquele momento. Sussa!

Aí o meu dia foi assim, correndo de uma sala para outra, salvando os arquivos de um computador na pen drive e correndo para o outro lado do corredor (e quando eu falo corredor, estou falando de um de mais ou menos 15 metros) para usar internet. E os neurônios preguiçosos, odiando o corre-corre, planejavam um incêndio criminoso em tudo aquilo só pra poderem ir embora pra casa dormir.

A impressora, que está conectada ao pc lento (dos arquivos), percebeu que era a única que estava trabalhando e resolveu parar também. Tentei argumentar, mas ela estava irredutível.

Se eu chamei um técnico? Óbvio. Mas ele só apareceu no final da tarde, quando eu já estava planejando uma emboscada para agarrá-lo na rua e levá-lo a força para o escritório (mas eu ainda acho que seria melhor ter chamado especialista para negociar com eles).

E aqui cabe um comentário sobre técnicos de computador: é só eles chegarem que tudo volta a funcionar, te deixando com a maior cara de idiota. Se eles sabem que é só aparecer para isso acontecer, por que não aparecem logo? Estou pensando seriamente em fazer um poster do técnico e deixar na sala. Talvez os computadores e a Sra. impressora se sintam constrangidos com a presença... Vou estudar melhor isso.

Mas, enfim, o técnico chegou. Juntamente com ele, um abacaxi monstro de um cliente, o que me fez ficar no escritório até 19:00 e, melhor, sem conseguir conversar com o técnico sobre o motivo do problema.

No fundo, ainda acho que eles pleiteiavam melhores condições de trabalho. Hoje, estavam todos funcionando, mas em operação-padrão.

Droga de equipamentos sindicalistas! 

Joinha!

24.2.10

Das partes

Como eu prometi aqui uma vez, vou falar um pouquinho sobre "as partes" de um processo.

Desde que decidi escrever sobre elas eu as observo atentamente sempre que vou ao forum. Esse se tornou um dos meus passatempos favoritos, já que decidi que não seria boa ideia levar o jogo imagem e ação (alguns cartorários poderiam entender como provocação e começar uma retaliação nem tão velada assim). Enfim, vamos a elas, às partes (apenas as já catalogadas):

1. A parte paciente: aqui o termo "paciente" não se refere, nem de longe, à paciência, e sim ao estado psicológico do ser. Explico: a figura chega no escritório e não conta APENAS sobre o seu caso, mas sobre TUDO ao redor dele. Pode ser o caso mais simples, a devolução de um equipamento quebrado para a loja, por exemplo, mas o cliente sente que é interessante te contar toda a história da compra do produto. "Comprou um novo porque o antigo o cachorro lambeu, o neto comeu... E o neto é fruto do casamento de sua filha com um rapaz nem tão bacana assim que, de início, achavam até que era bandido... E a família do bandido, digo, do genro, se tornou evangélica depois que uma febre acometeu um parente distante...". E por aí vai... Aí o advogado precisa ser paciente e, neste caso, referindo-se à paciência mesmo (de Jó!).

2. A parte palpiteira: é aquela velha história: "de médico e louco, todo mundo tem um pouco". Agora, substitua a profissão! Você está discutindo com seu cliente temas relevantes para o processo, colhendo o máximo de informações necessárias para dar um show na petição inicial. Ótimo profissional que é, sua mente já está vagando por diversas legislações, doutrinas e jurisprudências quando, de repente, a parte resolve te dar conselhos jurídicos. E esses conselhos passam do "óbvio ululante" às "aberrações jurídicas criadas por mentes doentias", as quais falaremos em outra oportunidade.

3. A parte fuça-fuça: essa é tão clássica quanto irritante. A figura baixa no forum toda semana pra olhar o processo. Não por falta de confiança no advogado, acredito que seja mesmo por prazer de estar lá toda semana e ver que nada mudou. Isso faz com que ela ligue toda semana no seu escritório pra avisar que o processo está parado (ah vá!) e, pior, "a moça lá " disse que a culpa é sua (pobre advogado (a)).

4. A parte que tudo sabe: geralmente uma evolução da parte fuça-fuça, essa espécie leu e mexeu tantas vezes no processo, aporrinhou tantas vezes o funcionário do cartório (e o pobre advogado) em busca de informações, que o conhece "de cabo à rabo" o processo e a matéria deste. É comum encontrar esse tipo no balcão do forum dando informações às partes que ainda estão no estágio fuça-fuça.

5. A parte que acredita: é aquele que ainda acredita, com todas as forças, que a justiça tarda mas não falha. Geralmente é a parte que dá menos trabalho para o advogado, pois sabe que o processo pode demorar horrores mas que, no final, a justiça será feita, portanto espera tranquilo o trâmite. Essa parte só cria problemas quando a justiça não é feita da forma esperada, ou seja, "puxando a sardinha" para o lado dele. Nesse rol cabe uma figura que encontrei no forum de Campinas esses dias e que eu não posso deixar de citar, pois até esqueci o que estava fazendo para observá-lo: Quase 2 metros de altura, calças curtas e blusa de moleton em pleno verão de quase 40 graus na sombra, ele discutia com a funcionária do cartório porque queria marcar uma audiência urgente com o juiz, pois estava de mudança para Minas Gerais e não poderia esperar. A funcionária, por sua vez, tentava explicar que não funcionava assim e que, diante das alegações do advogado dele, os autos iriam para o juiz que, por sua vez, abriria o prazo para a outra parte se manifestar (estou tentando ser o mais sucinta possível). A pergunta dele: Qual o prazo que o juiz vai dar? Ela: provavelmente 10 dias.
Ele: então volto daqui 10 dias.
Ela: Não, ainda vai para o juiz, ele vai abrir o prazo, publicar e só então começará a correr o prazo...
Ele: 15 dias então?
Ela, perdendo a paciência: Um pouco mais...
Ele: ah, 20, é o suficiente!
Ela, irritadíssima: Ok. Volte daqui 20 dias (certeza que ela vai estar de férias nesse período, certeza!).
Ele saca o celular do bolso e liga para o advogado dele: Tudo resolvido, doutor. Vou falar com o juiz daqui 20 dias...
Sabemos que isso não vai acontecer, mas ele é uma parte que acredita (e que é um grande problema pro advogado dele que provavelmente teve que explicar depois que a coisa não é bem assim como ele pensa, mas isso é um problema do caro colega...).

6. A parte que não acredita: não acredita em nada, nem na justiça, nem juiz e muito menos no advogado (que "é tudo picareta", segundo ela), mas como ela não vê outra solução para seu problema corre para o escritório do pobre e conta sua história com um certo ar de desdém. Fofura!



Como diria o professor Raimundo: "E o salário, ó!"





Aguardem próximos posts sobre novas espécies catalogadas, tão logo elas apareçam.