Eu já revirei minhas lembranças e fotos em momentos de tristeza e nostalgia, mas hoje é diferente. Hoje o passado trancafiado nessa caixa não me incomoda, pelo contrário. Percebi que guardo coisas valiosas de pessoas que eu nem sei mais onde e como estão, mas as memórias continuam lá.
Tudo que encontrei ao abrir a caixa faz parte de um tempo bem vivido. Lá dentro há um pedacinho de muitos amigos de infância, trechos de bons momentos vividos com amigos na minha adolescência, pedacinhos de amor e carinho recíprocos e eternos com pessoas que não vejo há anos. E essas lembranças não doem, não vão doer nunca.
Há bilhetes e cartas trocadas durante as aulas na época do colegial. Há lembranças de pessoas que sumiram do mapa e de outras que ainda estão ao alcance dos meus olhos (ou do meu orkut...rs.).
Aí, ainda que o passado não machuque, vem a saudade, a curiosidade. "Por onde andará o fulano? Éramos inseparáveis quando crianças..."; "E a Cicrana? Sei que se formou em jornalismo mas, o que estará fazendo?"; "Esse aqui eu sei onde está, mas gostaria de vê-lo mais".
E penso, depois dessa sessão nostalgia que talvez a tecnologia, ainda que não tão romântica, consegue aproximar as pessoas... Mas, será mesmo?
Eu queria ter mais tempo para reunir as pessoas que me fazem falta. Queria poder rever meus amigos de escola mas sempre que tentamos marcar um encontro, tem sempre quem não possa. O orkut, o msn, não substituem o abraço, o olho-no-olho, o cheiro, as risadas e os papos saudosistas sobre um passado comum à todos. Quem sabe um dia...