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8.1.10

"Mea Culpa"


Era exatamente sobre isso que eu falava quando deixei meu comentário neste post do Rob Gordon!

Sempre que eu me aborreço ou algum fato estranho acontece comigo eu tenho culpa no cartório. As bizarrices não acontecem por simples ironia do destino, aliás, se eu ficar quieta nada de interessante (?) acontece... Mas a verdade é que eu sempre faço alguma “coisinha”, sempre contribuo pra uma ocasião dessas acontecer.

Outro dia o Itaú me ligou. Eu estava dormindo e minha mãe me acordou pra atender (enorme ajuda dela... foi de sacanagem, tenho certeza!) e eu fui (começou a minha contribuição). A pessoa se identificou e pediu que eu esperasse que ela ia transferir para um consultor e eu ia ficar sabendo o motivo da ligação. Ok, cada uma com o seu papel. Segundos depois eu despertei e pensei: “Perai, eles me ligaram e eu ainda tenho que esperar para ser atendida??? Eu não mereço isso!” Desliguei no meio do refrão da música de espera.

Mas o Itaú é persistente e ligou de novo, mais tarde. Resolvi acabar logo com aquilo e dizer logo que eu não queria o que quer que fosse que eles tinham a me oferecer. Mais uma vez a atendente me pediu para aguardar. Eu? Tive uma pequena discussão com ela sobre o porquê eu deveria aguardar, sendo que eles é que estavam me ligando. Ela falou qualquer coisa e acabou me convencendo a aguardar (o que prova o quanto eu sou vulnerável às pessoas de telemarketing).

Fui atendida uns 4 minutos depois por uma mulher querendo me vender um serviço pluft plact zum (não vai a lugar nenhum) e logo de cara eu disse que não queria. Ela me perguntou se eu não gostaria de, pelo menos, conhecer a enorme vantagem... “Não, não quero!”. Me chateou esperar 4 minutos pra dizer essas três palavras. Muito.

Já no fato abaixo a minha contribuição foi adicionar uma pessoa no meu MSN a qual eu não fazia idéia de quem era. E eu sempre faço isso e não aprendo. É assim, se o nome não tiver nenhuma conotação sexual ou cara de spam, eu adiciono (vai que é alguém que eu conheço e não lembro?). Enfim, adicionei a figura e dias depois me acontece isso:

Ah! E lembre-se:

Nunca forneça sua senha ou o número do cartão de crédito em uma conversa de mensagem instantânea.

Agora que já estão devidamente advertidos, vamos lá...

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
ooiiiiiieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

Bia diz:
Oi

Bia diz:
Tudo bem?

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
tudo e vc?

Bia diz:
tudo tbm.... posso perguntar quem é vc?

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
como assim? Tá doida?

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
não lembra de mim?

Bia diz:
então, só conheço uma “l...”, mas o sobrenome dela não é “m...”

Bia diz:
desculpa, mas não lembro

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
q “l...”

Bia diz:
vc é de onde?

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
do cuiu

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
hihihihiih

Bia diz:
????

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
kkkkkkkkkkkk

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
rrrrrrrrrr

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
wwwwwwwww

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
vc ta doida ?

Bia diz:
eeeuuu?

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
eeeeeeeeeeeeeeeeeee

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
ñ sabe quem sou eu

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
kd gabi

Bia diz:
não sei mesmo.....

Bia diz:
não conheço nenhuma gabi

Bia diz:
acho que vc se enganou ao add o msn

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
entaoe doida mesmo

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
poe uma foto sua ai

Bia diz:
não dá.... estou numa versão arcaica do msn que não permite visualização de foto

Bia diz:
é só me dizer de onde vc é que, se conheço vc, vou lembrar, certeza

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
entao vou te deleta

Bia diz:
como quiser.....

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
ta

viva todos os dias como se fosse o utimo diz:
xau


* O nick dela era esse mesmo, “viva todos os dias como se fosse o utimo” (melhor não!), mas o nome dela, do endereço de e-mail, foi trocado para “l...” e “m...”, no intuito de preservar sua identidade. Todo o resto foi mantido conforme o ocorrido e é verídico.

7.1.10

"Distração é eufemismo" ou "Maldita genética"


Depois de ter entrado até as coxas num rio achando ser uma rua alagada na noite de reveillon, hoje me acontece um fato típico de meu pai, por isso o post tem dois títulos. Quem nos conhece sabe que grande parte da culpa por eu ser assim é dele.

Vamos aos fatos:

Fui ao Forum hoje e estacionei na avenida ao lado do portão de entrada, do outro lado, próximo à esquina onde fica um rapaz vendedor de suco (vulgo "laranjinha").

Entrei no Forum, fiz o meu trabalho, aguentei firme o que os advogados aguentam e que qualquer ser humano normal não aguentaria. Saí com aquela sensação de bem estar, de dever cumprido, de "essa merda, só amanhã" e fui para o carro.

Atravessando a rua, apertei o botão do alarme e ouvi o "pi-pi" habitual. Eis que chego no carro e percebo arranhões estranhos na porta, arranhões novos e mais profundos do que os já existentes. Praguejei. Não que eu dê muita importância para a lataria de um carro, mas riscar a minha porta daquele jeito era muita sacanagem. Passei o dedo pelos riscos pensando em quem poderia ser o imbecil. Um adolescente rebelde? Um motoqueiro sem escrúpulos? Enfim, resolvi deixar pra lá e ir embora... Mas nem tudo é o que parece ser...

Coloquei a mão na maçaneta e puxei para abrir. Nada. A maçaneta está travando mesmo, desde que tentaram roubar o carro. Tentei de novo. Nada.

Acionei o alarme mais uma vez, ouvi o "pi" que fecha, acionei de novo e ouvi o "pi-pi" que abre. Percebi então que as travas, dentro do carro, não se moviam. Cara... começamos o ano bem! Vou ter que abrir com a chave mesmo. (Será que não vai disparar o alarme, visto que, aparentemente, ele não está funcionando muito bem? E se disparar e eu não conseguir desligar? Droga!) Fiquei um tempo pensando sobre isso e na possibilidade de ligar para o meu pai e pedir ajuda.

Olhei para dentro do carro pensando que eu precisava mesmo dar um jeito naquilo. Tinha até um copo do Mc Donald´s no chão e eu nem lembro quando foi a última vez que passei pelo drive-thru. (Esse copo jogado deve ser coisa da Michelle certeza, é típico dela!).

Respirei fundo, coloquei a chave e tentei abrir. NADA! Quase quebrei a chave tentando virar e NADA! (Não é possível que tentaram levar o carro de novo... Ou será que é uma gangue destruidora de fechaduras e que agora conseguiram seu intento?). Minha vontade era surrar o carro e perguntar em alto e bom som porque raios ele não queria abrir. Eu estava furiosa!

Foi nesse momento que eu olhei para o lado e percebi que a placa do meu carro tinha se mudado para outro carro... Será? Óbvio que não! Percebi que estava tentando abrir o carro errado, estava brigando com o carro estacionado na frente do meu (como pode serem tão parecidos?). Lembrei também que mandei o carro pra lavar na segunda-feira passada e nunca que aquele carro sujo poderia ser o meu (muito menos o copo do Mc Donald´s ser da Michelle).

Minha vontade era brigar com o meu carro (por que ele não me chamou?), brigar com o outro carro (que também ficou na dele, dignando-se apenas a não abrir), brigar comigo (porra, não tem nem uma semana a história do rio!)... Olhei em volta para medir o tamanho da vergonha. Quase ninguém na rua, exceto pelo laranjinha que deve ter percebido o erro logo de cara mas também não fez nada. Olhei para ele, dei um sorriso amarelo e fui para o carro (desta vez, o meu mesmo). Entrei com uma gargalhada presa na garganta, mas não podia rir, não podia deixar o vendedor de suco achar que eu era louca... E ele tentava disfarçar, mas ria...


6.1.10

Aquele do Reveillon

Um dia quatro amigas solteiras por opção (deles!) resolveram passar o reveillon na praia, mais precisamente em "Caraguá", assim como cinco meninos (mais tarde seriam seis, contando com o tio) solteiros por opção (delas, é óbvio!). Se conheceram por culpa da chuva torrencial que caía em São Sebastião, cidade vizinha e local escolhido por ambos os grupos para passarem a "virada". Todos confinados debaixo de uma barraca tendo que juntar as mesas para ninguém se molhar. Resultado? Esquece, não vou contar tudo. Foi engraçadíssimo, mas não conseguiria descrever a graça toda em palavras, até porque nem todos que lêem o blog estão alcoolizados o suficiente, mas vou resumir ocultando os nomes para ninguém sair prejudicado, na ordem dos acontecimentos:

1. Duas pessoas saem da festa, depois da virada, no intuito de deixar a bolsa de uma delas no carro (a bolsa molhou muito com a chuva e pesava uns 10 kilos, no mínimo). Eis que no trajeto acabam entrando num rio achando que era uma rua alagada. Isso mesmo, NUM RIO, na intenção de atravessar a RUA ALAGADA! Quando a água atingiu a metade das coxas resolveram voltar e seguir pela ponte. Você deve estar pensando: "Porra, se tinha uma ponte, eles não perceberam que era um rio?". A resposta é simples: "Não". As duas pessoas nem estavam tão alcoolizadas assim, posto isso só resta a opção de que os dois sofrem de deficit cognitivo.

2. Uma pessoa se perde do grupo, perde o tênis e a noção. Anda mais de 10 km e só chega em casa no outro dia, às 10 da manhã.

3. Duas pessoas se perdem para voltar para o carro, andam uns 6 km até perceberem que estavam perdidos. (Sim, esse povo está querendo uma vaga na São Silvestre do próximo ano). Enquanto isso, seis pessoas se espremem dentro de um carro, se escondendo da chuva e esperando os dois perdidos chegarem. Cogita-se a idéia de deixar os dois pra lá e murchar o pneu do outro carro (de propriedade de um dos dois perdidos), mas uma pessoa de coração bonito resolve que é melhor esperar.

4. Churrasco no dia 1, cerveja, caipirinha de caju, cerveja, caipirinha de kiwi (kriptonita), cerveja, qualquer coisa alcoolica dentro de um abacaxi e mais cerveja. Resultado: uma pessoa que não lembra de ter tentado jogar imagem e ação, ter tentado arrancar a roupa e comido um prato de nhoc (que, por sinal, estava maravilhoso... comidinha do tio pra forrar o estômago!).

5. Uma pessoa que tinha decidido trançar a juba pra ir pra praia e resolve, depois de ter bebido um quiosque inteiro, que deveria destrançar tudo. Claro que a tarefa árdua sobrou para três inocentes que tiveram que aguentar frases do tipo: "Por que você está aí parada? Já terminou?" ou "Foda-se se demorar, a outra demora horas pra tomar banho e ninguém fala nada"... Um bom humor de causar inveja a qualquer cristão!

6. Pizzaria em São Sebastião. Pizza baiana, mexicana, levíssimas e alguns passando mal depois.

7. Dia de voltar e um sol do car... Trânsito na serra. Maravilha!

Mas o pior de tudo foi uma pessoa que odeia axé-music (neste caso, eu!), finalizar o primeiro dia do ano num show cuja música principal era algo do tipo: Vou te pegar rá ru!

P.s.: Sim, eu sou a pessoa com deficit cognitivo que entrou no rio. Pronto, falei!
P.p.s: Morrendo de preguiça de escrever, por isso foi resumo do resumo...aff!

24.12.09

Ah, o Natal...


Depois de vários anos passando o natal na casa da família do ex-namorado, este ano eu tinha planejado um natal diferente. Planejei me vestir com um pijama muuuuito velho, daquele tipo que até freis franciscanos ficariam com dó e comentariam: "Filha, quando falamos em voto de pobreza, não é bem isso"... Enfim, no super-pijama eu iria para cama munida de pipoca, refrigerante e dvd´s e nem veria o Papai-Noel passar. O natal dos sonhos pra mim! Maaasss, como já era de se esperar, os meus planos foram por água abaixo quando descobri que teríamos convidados para a ceia em casa.

Cabe lembrar que a minha família nunca foi de fazer festas de natal, essa coisa de dar presente e esperar até meia-noite pra jantar nunca fez parte das nossas tradições familiares (aliás, acho que nem temos tradição nenhuma). Mas este ano nós temos convidados, hunf! Os convidados são ótimos, pessoas que eu realmente gosto, o que não gosto é de natal...

Minha amiga me chamou para almoçar com ela e, num primeiro momento, declinei. Mas depois pensei: se eu não vou ter o natal dos sonhos ela também não vai! Enfim, negociei o almoço em troca da ajuda dela na arte de pintar meu cabelo. Feito! (Quando eu digo "ajuda", na verdade quis dizer que ela ia pintar e eu ia ajudar ficando com a cabeça parada.)

Almoçamos e fomos para minha casa. A sugestão da minha cunhada foi colocar uma água oxigenada volume 30 no lugar da que vinha na caixinha da tintura, que é 20, apenas para "clarear um pouquinho" (porque eu queria passar de preto para castanho, mas nem milagre arranca tintura preta de um cabelo). Resultado: raiz quase loira e pontas, que não quiseram se meter na lambança, continuaram pretas. Ou seja, ficou horroroso. Corri na farmácia pra pegar um tonalizante escuro pra passar na raiz e só conseguia pensar: "Bia, como você é teimosa, depois de tantos anos e tantas besteiras feitas e você ainda cai nessa de pintar cabelo em casa??? Custava ter ido no Dani (o cabelereiro)???" Bom, passei a droga do tonalizante e tudo ficou bem... assim, mais ou menos... melhor do que estava, pelo menos!

O que me consola é que 2009 está acabando, falta só um tiquinho. E nesse "tiquinho" tem uma viagem para a praia no reveillon... Vai render!

E logo eu posto as minhas resoluções de ano-novo (e uma delas, com certeza, é procurar um profissional ao invés de querer mudar o visual em casa). Meu pai pretende fazer as resoluções de ano novo baseado no que ele NÃO vai fazer em 2010, acho que vou seguir a mesma linha.

6.12.09

Eu sabia!

Eu sabia que o fato de ter traído a Saraiva ia me dar problemas. Sabia que ia sofrer retaliação por parte da livraria. Ela é adepta do ditado "a vingança é um prato que se come frio".

Uma amiga minha ficou sabendo que fui na Saraiva na semana passada e brigou comigo por não tê-la convidado porque, segundo ela, eu tinha obrigação de saber que ela queria ir. Segundo ela, ainda, em algum momento, dentre as milhares de coisas que ela me fala todos os dias, tinha expressado o interesse de ir procurar o presente de amigo-secreto lá.

Que fique claro duas coisas: 1) eu não tenho bola de cristal; 2) ela realmente anda com um problema de achar que falou algo que não falou.

Mas eu resolvi voltar na Saraiva esse fim de semana, apenas para levá-la comprar o presente. Na verdade, queria também sondar como andava o humor da livraria comigo. Se eu chegasse e eles fechassem as portas, seria hora de desencanar e partir pra outra.

Um pouco abalada com uma notícia que minha amiga tinha me dado ao longo do caminho (e ela não tem noção que uma pessoa dirigindo em alta velocidade não pode ser surpreendida com uma notícia a queima roupa!), chegamos em Campinas.

Shopping lotado, mesmo público burguês de sempre, nos dirigimos à Saraiva.




Em menos de 5 minutos lá dentro eu vejo uma prateleira com pelo menos QUATRO obras do GABRIEL GARCIA MARQUEZ. Eu tenho certeza que, ao me ver entrando no Shopping alguém foi lá e montou a prateleira, só pra me sacanear. Fiquei p... da vida, mas resolvi não dar atenção.

Achar um atendente desocupado lá dentro é uma loteria, mas depois de alguns minutos conseguimos um que não nos ajudou em nada. Ótimo!

Procurei um livro que meu pai tinha me pedido e não tinha. Eu ainda acho que tinha e alguém escondeu e alterou o sistema de busca fazendo constar: "Disponível somente para encomenda".

Minha amiga finalmente decidiu o que o amigo-secreto dela vai ganhar e fomos para o caixa. Qual não foi a minha surpresa ao dar de cara com uma pirâmide construída com centenas de exemplares do livro "O amor em tempos de cólera", justamente o que eu comprei a semana passada na Livraria Cultura. Mas não para por aí, o livro estava, simplesmente, pela METADE do preço que eu paguei. Tive vontade de derrubar a pirâmide mas me contive, não iria demonstrar meu abalo, jamais!

Já no caixa, emprestei meu cartão fidelidade para minha amiga obter o desconto na compra dela e descubro que tenho um bônus/desconto de 15 reais. Sendo assim, "O amor em tempos de cólera" sairia pouco mais de 10 reais pra mim... Mas eu não iria aproveitar a pechincha, afinal, já tenho o livro, que me custou 52 reais na Cultura.

E a Saraiva está rindo até agora.

5.12.09

Inferno astral?

O blog anda com um certo delay, mas é culpa da semana agitada, não minha. Tecnicamente hoje é dia 05, mas o blog ainda está no dia 02. Enfim...

É mentira que eu me irrito fácil. Ocorre que, se eu não estiver irritada, o destino persiste!

Vamos aos fatos:

Quarta-feira, 02 de dezembro: acordei até animada pois, teoricamente, o meu inferno astral tinha acabado no dia anterior. Para minha surpresa, assim como o blog, meu ciclo solar também parece estar com delay.

Em tempo, as "quartas-feiras" sempre foram tensas pra mim. Eu não sei porque mas é o dia da semana em que saio de casa com uma nuvenzinha em cima de mim. Ainda que o dia esteja lindo, pra mim ele está nublado.

Chego no escritório no horário de sempre e me arrasto até a cozinha rezando para uma boa alma já ter feito o café. Nada. Resolvo fazê-lo eu mesma. Nada de pó de café. Cogito a possibilidade de ir até o mercado, mas seria pedir demais... Melhor me concentrar em outra coisa enquanto o pó de café não chega por livre e espontânea vontade.

Computador com problemas pra ligar, promessa para Nossa Senhora dos Computadores que Não Ligam e ele liga! Abro o Diário Oficial e dou de cara com um número assustador de publicações. Prazos e mais prazos a cumprir. Enfim, é a minha penitência por um dia ter desejado o curso de Direito. Mas são 8:20 e o dia está só começando, ainda dá tempo de melhorar (ou piorar).

Logo mais o café chega pelas mãos de uma colaboradora e me faz sentir melhor. Sempre ouvi dizer que amigos são anjos... Acredito! Ainda mais quando esses anjos trazem café.

Começo a me preparar para o dia e a mesa vai novamente retornando à sua aparência habitual, estilo "pós furacão Katrina". No ponto alto da desorganização eu me lembro que preciso "dar um pulo" na prefeitura e retirar uma certidão XYZ. O "dar um pulo" tem que estar entre aspas mesmo porque qualquer ser humano normal sabe que, se depender da eficiência de um órgão público, é impossível dar um pulo, no máximo, brincar de estátua ou morto-vivo. Fui.

Pensando que nada poderia dar errado, já que eu SEMPRE faço a MESMA solicitação, no MESMO lugar, pagando as MESMAS taxas, para o MESMO cliente, referente ao MESMO processo, entrei na Prefeitura Municipal (que é um pleonasmo) tentando não demonstrar insegurança. (Se quiser sobreviver, NUNCA demonstre insegurança a um funcionário público).

Chego no balcão e entrego o protocolo de retirada. Foi nessa hora que a nuvem de quarta-feira começou a dar o ar da graça só pra me mostrar que o inferno astral não tinha acabado. Com aquela entonação de "Rá! Vou te dar canseira!" o funcionário me pergunta:

- Você trouxe o contrato social da empresa? 
- hã?
- O con-tra-to so-ci-al...
- Pra que você quer o con-tra-to so-ci-al??
- Para confirmação de CNPJ e razão social.
- Como assim? A certidão não foi emitida ainda?
- Foi, está aqui, mas eu preciso confirmar.
- Mas está na própria certidão!
- É só pra confirmar.
- Eu entendi mas, se a certidão foi emitida, isso quer dizer que o CNPJ e razão social estão corretos ou a prefeitura emite certidões com informações incorretas?
- Não é isso, é que... blá blá blá blá blá (infinito).

Bom, eu tive que ir ao departamento de dívida ativa, ao jurídico, voltar ao protocolo, começar mais uma discussão, etc... Mas saí vitoriosa, com a certidão nas mãos. O dia estava difícil, mas não impossível.

O calor dentro do carro fazia eu me sentir um peru em véspera de natal, mas tudo bem, eu tinha acabado de ganhar uma guerra e o meu troféu era uma droga de certidão.

Segundo Round, Forum. Logo ao entrar eu vejo no balcão do cartório da segunda vara cível uma cliente do escritório (chaaaata) e me lembro que o processo dela está na PRIMEIRA vara cível. O que ela faz na segunda? Lembrei! Ela está fuçando um outro processo da pessoa que moveu ação contra ela. Fuçando é a palavra certa e fuçar é muito feio. Já acho feio se você é um pobre advogado buscando informações, se você é parte, pior ainda (um dia escrevo um merecido post sobre "as partes" do processo).

Usei o velho truque do celular (aquele que você finge falar com alguém para que o chato que você já avistou não te interrompa) e passei rápido. Subi as escadas bem em frente ao balcão onde a chata estava e pude vê-la perguntando um monte de coisas para a funcinária do cartório, que aqui receberá o nome de Cabeluda.

A Cabeluda é uma das senhoras mais chatas e arrogantes de todas as varas cíveis. Me deu vontade de parar no meio da escada, dançar a macarena pra ela e gritar: "Bem feito! Eu disse que um dia você ia se f...". Mas achei melhor não chamar a atenção para mim, de forma que eu só olhei e dei um sorrisinho sarcástico.

Pronto, a nuvem que estava dando trégua resolveu voltar com força total. Praga da Cabeluda, tenho certeza.

Lá em cima, fila no balcão do protocolo, sistema fora do ar, fila enorme no banco, saguão lotado de gente aguardando audiências, uma mulher chorando e brigando com o (penso eu!) ex-marido, aquele clima amistoso de pré-audiência de vara de família, uma delícia! O jeito é voltar mais tarde.



Passei pela Cabeluda e a chata de novo e saí sem ser notada. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que um engraçadinho havia colado na traseira do meu carro, dificultando um pouco a minha fuga.

Volto ao escritório, chateações normais, meto o joelho numa gaveta e quase choro de dor, calor insuportável, advogado da sala ao lado em reunião de alto nível de decibéis... Tudo normal.

Faço uma horinha e resolvo que é hora de voltar ao Forum. Entro no carro e percebo que alguém deixou um panfleto no pará-brisa, mas decidi que não era o momento de sair do carro e tirá-lo, faria isso a hora que chegasse ao Forum ou quando chegasse em casa ou não faria, esperaria ele sair sozinho e, gentilmente, dirigir-se a uma lixeira por conta própria.

Mas, como já era de se esperar, no meio do caminho começou a chover, na verdade, mandaram água de balde, molhando o papel em apenas alguns segundos. Por mais que eu não quisesse aceitar a idéia, tinha que ligar o limpador de para-brisa. Aquela massa de papel molhado se espalhou por todo o vidro. Lindo!

Não tinha uma m... de uma vaga próxima ao Forum, tomei chuva, molhei a petição que ia protocolizar, quase caí atravessando a rua de paralelepípedo. O fim de tarde estava realmente maravilhoso.

Chego em casa, p da vida (bobagem!) e vou tomar banho. Só quando estou inteira molhada é que eu percebo que acabou o shampoo... E ainda eram seis horas da tarde...


Errata: no post anterior, sobre o Dr. Psiquê, onde escrevi "1/3 de idade" leia-se "2/3 de idade". É que meu pai, que acabou de ler o post, me avisou que 1/3 é menos que 1/2 e a minha intenção era justamente o contrário. Nunca entendi direito as frações, a parte do meu cérebro responsável pela matemática foi desativada logo que eu nasci.

3.12.09

Dr. Psiquê

Dia 23 de novembro eu decidi que era hora de consultar um psiquiatra. Os motivos não importam. Peguei o "catálogo" de médicos que atendem ao meu plano de saúde, descartei os que eu já conhecia e não gostei e sobraram quatro de uma lista considerável.

Nos três primeiros que liguei só havia consulta para depois do dia 20 de dezembro. Na minha humilde opinião, psiquiatra deveria atender pronto-socorro porque, dependendo do seu estado, não dá pra esperar um mês... Bom, mas na última tentativa (surpresa!) tinha horário para o dia 01/12, meu aniversário. Não é coincidência, é azar mesmo. Enfim, como eu não estava em condições de recusar a oferta, aceitei.

E no dia 01/12, no horário marcado, eu estava lá.

Enquanto preenchia minha ficha, um homem, pouco mais velho que eu, perambulava pela recepção. Ouvi a recepcionista chamá-lo de Doutor (?). Ele procurava por algo que parecia não estar ali (será que ele é o médico?) e parecia um pouco perdido, transtornado (só pode ser ele, todo psiquiatra é louco!). E era.

Eu não tenho nehum preconceito com médicos jovens mas, para meu psiquiatra eu esperava um senhor de 1/3 de idade, barba e um "ar" de Freud. Tá, ele é psiquiatra e não psicanalista... mas vocês entenderam onde eu quero chegar. Se não entenderam eu explico: o Dr. Psiquê tem idade pra ser meu amigo de bar, uma dessas pessoas que eu poderia encontrar numa balada (se eu as frequentasse) e o "ar" estava mais para Hannibal Lecter.


Conte-me tudo!

Entrei, sentei e tive que expor o motivo pelo qual eu estava ali. Confesso que fiquei desconfortável, primeiro porque meus amigos sabem que eu não sou normal, mas eles descobriram isso sozinhos, eu não contei. Segundo porque eu jamais tomaria um remédio indicado por um amigo de bar, não um remédio de uso controlado pelo menos, no máximo, um dorflex. Terceiro porque ele tinha um olhar "vidrado" e ao mesmo tempo perdido (medo!).

Claro que ele deve ter percebido que eu estava desconfortável mas, ao invés de me oferecer uma cerveja pra relaxar, ele me bombardeou de perguntas. A entonação da voz dele era quase de um serial killer, psicopata, prestes a devorar a vítima que, no caso, era eu.

E eu tinha vontade de dizer: "Olha, eu sei qual é o remédio, eu só preciso da receita, vamos pular essa parte em que você quer saber de tudo (ou me mata!)... Eu saio feliz (e ilesa) e poupamos seu tempo (e minha vida)". 

No fim ele constatou o que eu já sabia (ufa! ele não quis "inovar") e me receitou o remédio que eu já conhecia (ufa! ele não quis "inovar" [2]).

Fui embora, com duas caixas do remédio que ele me deu, esperançosa e sem nenhum arranhão.

O retorno ficou para 05/01 mas, como é de praxe, não sei se vou. Eu nunca faço o "retorno" dos médicos e neste, particularmente, fico com medo de entrar no consultório e surpreendê-lo com a boca suja com sangue do paciente anterior...

29.11.09

O dia em que traí a Saraiva!


Primeiro eu vou contar porque eu gosto tanto da livraria Saraiva:

Moro em Indaiatuba e aqui não tem Saraiva, mas tem Laselva, aliás, tem uma no "Shopping" e uma no centro. Eu não sei se é um problema da rede ou o público indaiatubano que não é muito exigente (ou eu que sou exigente demais) mas, eu nunca encontro nada na Laselva. Eles parecem estar se especializando em livros de auto-ajuda e juvenis.

Certa vez, pensando em preencher uma lacuna na minha vida (ler Cem anos de solidão), fui até a Laselva. Procurei, procurei e nada. Nesse tempo fiquei pensando que seria melhor, talvez, ler outro livro do autor antes de me aventurar em Cem anos de solidão, afinal, eu já tinha tentado por duas vezes e não tinha conseguido. Vi uma atendente simpática e me aproximei:

- Você tem Gabriel Garcia Marquez? (assim mesmo, genérico, a fim de que ela me apresentasse outros títulos, mas talvez a minha pergunta tenha sido dúbia).

A moça procurou no computador, numa pesquisa por "título". Achei que não estava certo, mas como não sou funcionária da loja e não conheço o sistema de busca, resolvi ficar quieta. Ela fez uma cara de "putz, que pena, não tem" e procurou de novo e de novo, mudando a grafia de Marquez para Marques, tirando o Garcia, deixando só o Gabriel, enfim... Não encontrou! Eis que ela se vira pra mim e lança:

- Tem certeza de que o título é esse mesmo?

- Não. Tenho certeza de que este é o autor de vários títulos.

- Ah! É o autor? Perae...

Espero. Afinal de contas ela não tinha obrigação de saber que Gabriel Garcia Marquez era o nome do autor, ela só trabalha na livraria, não é mestre em literatura. Hunpf!

- Olha, não tem mesmo.

- Nada?

- Nada.

Olhei à minha volta de vi a coleção inteira do Augusto Cury.

- Ok. Obrigada.

- Se quiser, podemos encomendar, chega em 7 dias.

- Não. Obrigada.

Depois desse episódio, só entro na Laselva pra passar o tempo, se estiver, por exemplo, esperando o horário do cinema.

Mas, enfim, ontem eu estava em casa fazendo o que qualquer deprê pobre faria: notebook, cama e pijama. E me deu uma vontade louca de estar na Saraiva. Não gosto muito da Fnac e a Cultura, apesar de linda, bem, não é a Saraiva.

Um amigo entrou no msn e, sabendo do meu desejo, manifestou interesse em ir comigo. Ótimo, já tinha companhia, agora era só vencer a primeira lei de Newton (todo corpo em repouso tende a continuar em repouso) e ir. Fomos.

Chegando na Saraira meu coração já começou a disparar. Fico realmente ansiosa antes de entrar, pela perspectiva das maravilhas que encontrarei lá dentro.

Mas, eu não sei se era o estado deprê, o tempo chuvoso ou sei-lá-o-que, perdi o pique rapidinho. De repente, nada mais me interessava. Não conseguia achar um livro que me desse realmente vontade de levar para casa. Passamos mais de uma hora lá dentro e NADA! Desisti e falei pro meu amigo: "Vamos na Cultura". Fomos.

Qual não foi a minha surpresa quando, ao chegar na Cultura, uma prateleira começou a piscar pra mim. Literalmente. Advinhe: Gabriel Garcia Marquez. Escolhi "O amor nos tempos de cólera". Andamos mais um pouco, cheguei a cogitar levar outros títulos mas deixei pra lá. Não estava animada mesmo. A moça do caixa me ofereceu o cartão fidelidade da loja, mas eu não fiz (já tenho o da Saraiva e, fidelidade pra mim é assunto sério).

Voltando para Indaiatuba (sim, estávamos no Iguatemi-Campinas), ouvindo Metallica, eu me perdi. Primeiro nos meus pensamentos e depois (e em consequência disso), no caminho propriamente dito. Quando me dei conta estava indo sentido "Sousas"... Droga!

Fui seguindo os meus instintos (o que não é grande coisa) sem me desesperar, afinal de contas já estou acostumada a me perder. Sempre acontece, se não me perco pra ir, me perco pra voltar.

Alguns minutos depois vejo uma placa "Bem vindo a Valinhos". Entramos em Valinhos, não tinha outra opção. E, como disse meu amigo, Valinhos é uma cidade que você não pode desistir de entrar. Não tinha retorno! Algum tempo depois achamos o retorno e voltamos para a estrada. Não estávamos com pressa mesmo...

Depois de um tempo perdidos (e eu imaginando ser mandinga da Saraiva por eu ter comprado na Cultura) achamos placas indicando "Indaiatuba". Estamos em casa.

Ainda chegamos à tempo de comer e eu conseguir passar na locadora e viver um momento sóacontececomigo.com.br... Mas essa é outra história...

15.11.09

Maria sem vergonha

Alguns dias atrás parei numa floricultura a fim de comprar um vaso bem legal pra deixar na mesa do escritório. O jardineiro de lá me indicou um vaso de "Impatiens New Guinea Hybrida", para os mais íntimos, Maria sem vergonha! (É claro que esse "apelido" eu só descobri depois, alguém me falou, não entendo naaaada de plantas!).

O tal do jardineiro me falou maravilhas sobre ela, que iam da facilidade do cultivo até questões místicas de que ela "limpa o ambiente" e é "ótima para os negócios". Perfeita pro escritório. É essa mesmo, moço!

Só uma ressalva: segundo o jardineiro essa planta é como o amor, tem que ser regada todos os dias... Foi quando pensei (mas não falei): "O senhor é um romântico incurável ou um comediante stand-up?". Enfim, levei o raio da planta...

Já no primeiro fim de semana, prolongado por conta do feriado de finados, me vi obrigada a levar a D. Maria pra casa, visto que ela tem que ser regada TODOS OS DIAS (como o amor, lembram?). E ela acabou ficando, não levei de volta pro escritório.

Eis que hoje eu acordo e percebo que ela está MORRENDO. Juro que reguei todos os dias e até ontem ela estava linda. Alguma coisa aconteceu com ela esta noite, mas ela não me conta.

Coloquei água, tentei conversar e nada!

O último vaso que tive foi um de Hortência, durou 1 semana... (Contei pro jardineiro romântico o triste fim da Hortência e ele disse que ela gosta mesmo de climas frios, então eu não tive culpa... ufa!).

Espero que a Maria sobreviva e seja a recordista de tempo de sobrevivência sob meus cuidados...